Então já levantaram toda a poeira? Já criticaram tudo? Não gostaram de ver a selecção no Mundial? Eu também não! Fizemos um bom Mundial? Não! Fizemos um mau Mundial? Também não. Foi o expectável, o razoável, o admissível e ainda o possível! Queiroz tem culpa? Sim alguma. Tem culpa na convocatória? Sim, teve escolhas duvidosas! Leu mal o jogo frente à Espanha? Sim, de início leu bem, a meio do jogo perdeu-se a leitura! Queiroz fez mal as substituições? Sim fez, no lugar dele não tiraria Hugo Almeida. Mas de fora é muito fácil, pois ainda me lembro de em 2006 frente à França, estarmos a perder e Scolari fazer uma semelhante (saiu Pauleta e entrou Simão, ou seja, a perder e sem avançado). Ao menos em 2010 fizemos isso com o resultado ainda igual, embora mal feito. Queiroz tem culpa da geração e do estado actual do futebol português? Não, não tem! Éramos favoritos? Só um louco podia pensar assim! Tínhamos equipa para se bater com as selecções mais fortes? Nunca! Se queriam ser campeões do Mundo, perderam uma bela oportunidade de ser em 2006, aí sim com uma excelente geração e todos no auge. A equipa que esteve na África do Sul metade era inexperiente, a outra metade eram velhos, sem ritmo, que passaram a época inteira lesionados e ainda tínhamos o suposto melhor do Mundo (???). Se podíamos sonhar? Sim podíamos. Até eu sonhei, até os norte-coreanos podiam sonhar. O sonho é diferente da realidade. Todos vocês sonhavam? Faziam bem, mas a culpa de sonharem é do Queiroz? Tudo bem que o discurso dele foi nesse sentido, mas cabia a cada um de nós avaliar as reais possibilidades na competição. Passámos o grupo e perdemos frente à campeã europeia. Discutir o jogo com a Espanha? Saíamos de lá tão bem vistos como Inglaterra, Itália ou França. Em dez jogos não ganhávamos um à Espanha. Queiroz apenas tentou ser o mais realista possível. Se gosto de ver Portugal só a defender? Não, mas sei que era a única hipótese de ter sorte, e ainda assim muito difícil. Aposto que Mourinho no lugar de Queiroz tinha jogado ainda mais à defesa. Eu pelo que vi, fico descansado por ter percebido que todos (Ronaldo não incluído, pois penso que deveria ter mais cuidado com o seu ego) deram o máximo que podiam e isso já me satisfaz…
Resumindo: Queiroz foi contratado para ser campeão do Mundo? Óbvio que não. No actual momento a prioridade é que Portugal seja campeão do Mundo? Eu no meu ponto de vista não! Temos que começar a pensar a longo prazo, porque não temos praticamente nada no presente. O trabalho de Queiroz reside nesse ponto, conseguir criar uma geração decente para enfrentar o futuro. Até pode nem conseguir fazer nada no próximo Euro, pois eu só o avaliarei no próximo Mundial, pois é aí que o seu trabalho tem que dar frutos. Então e de momento? Para mim já será bom conseguir as qualificações e passar as primeiras fases, o resto serve para dar experiência. É que se vamos apostar tudo no presente, com um qualquer velho do Restelo (pois não vejo quem, de qualidade, possa ocupar o lugar de seleccionador), podemos fazer com que os nossos netos estejam praticamente 30 anos sem ver Portugal num Mundial, assim como nós estivemos de 1986 a 2002. E quem fez com que houvesse uma geração de continuidade no nosso futebol, capaz de alcançar enormes feitos e com regularidade? Foi Scolari? Pois pesquisem sobre a história do futebol português. E deixem-me dizer que eu nunca fui, não sou, nem nunca serei defensor de Carlos Queiroz. Não gosto é da crítica fácil! Lembram-se de Iñaki Saez? Um dos piores no cargo de seleccionador espanhol. Pois é verdade, mas também foi ele que formou toda esta geração actual, que depois de ser vergonhosamente eliminada em 2004 pelas suas mãos, é agora uma das mais fortes do Mundo e campeã europeia. Saez lançou a maioria destes jogadores, e sempre que os ouvimos falar, eles dizem que se torna mais fácil quando se joga muitos anos seguidos juntos.
Pois vejamos (pensando a médio prazo, num futuro máximo de 4 anos). Guarda-redes: Eduardo (escolha mais que consensual) e ainda temos Beto/Rui Patrício, podendo escolher o que estiver em melhor forma. Defesa: Bosingwa e João Pereira (que agora se percebe que é bem melhor que Miguel e Paulo Ferreira juntos); Bruno Alves (para mim apesar de o detestar ver semear pancada e destilar ódio na Liga Sagres, seria o capitão ideal), Rolando, Zé Castro e D. Carriço (que pode muito bem ser o sucessor de R. Carvalho); na esquerda temos F. Coentrão e depois falta a alternativa. No miolo temos Pepe, M. Veloso, J Moutinho, R. Amorim, Tiago, R Meireles e R. Micael (já vimos que não precisamos de jogar com um dez como Deco, logo estes dão garantias). Nas alas: Nani, Danny, Cristiano Ronaldo (sem braçadeira), Varela e R. Quaresma (caso volte a jogar com regularidade). Avançados: É o problema do costume. Com Hugo Almeida podemos contar, e depois? Makukula? Djaló? João Silva (deverá ser o novo Vaz Te)? Orlando Sá? Saleiro? Este ainda me parece o menos mau, caso jogue. Kevin Gameiro? Seria uma boa opção. Mas já deu para reparar que Queiroz tem material para construir um núcleo-duro para 2014. Ao menos conseguimos pensar que temos um conjunto (coisa que não existe). É na lateral esquerda, onde é necessária alternativa de valor, e na frente de ataque, que está reduzida praticamente a nada, que o seleccionador vai ter de arranjar soluções e formar jogadores de modo a resolver os problemas. A juntar a isto ainda temos nomes jovens que podem aparecer: Castro, Ukra, André Santos, Diogo Rosado, Paulo Machado, Roderick, N. Oliveira, F. Faria… Para não falar daqueles que aparecem e sobem na carreira do nada, a quantos não acontece isso (o último foi R. Micael, que apenas precisou de meses para chegar à Selecção Nacional).
É este que penso que tem que ser o papel de Queiroz. O seleccionador nem devia ter medo da pressão e deveria fazer já esta renovação. É certo que também precisa de resultados, e que Simão, Pedro Mendes e R. Carvalho, por exemplo, ainda seriam úteis e mereciam continuar no lote, mas Queiroz tem que ter a coragem de enfrentar a crítica e mudar, renovar, de forma a existir futuro. Não lutar por resultados imediatos, mas sim, fazer com que este grupo daqui a 4 anos tenha rotinas, e que seja levado a sério. Pois neste Mundial, nunca levei este grupo a sério. A não ser em sonhos. Queiroz tem culpa da descrença? Pode ter, mas o problema vem de trás.
Logo não compreendo tanto “bruááá” à volta da selecção. Comparam esta situação à vivida em 2002? Não devem estar bem da cabeça! Há críticas a fazer? Há, mas tudo isto parece um folclore, em que se critica por criticar, e se tenta dizer a frase mais polémica de todas. Aproveitando este facto, lanço uma deixa: Após este Mundial todos temos uma certeza. Ganhámos um guardião para o futuro! Para além da qualidade evidenciada, encheu todos os portugueses de orgulho. Agora pensem se Queiroz também pode ser criticado nisto? É que eu bem me lembro que, antes do início do Mundial, apenas o seleccionador nacional acreditou nele. Ninguém depositava um cêntimo de confiança em Eduardo (nem eu próprio), e o mérito nesta situação é de quem? De Eduardo? Não! Mas como nós estamos “esfomeados” de crítica (negativa), só nos lembramos do que nos convém. Hoje já ninguém se lembra de Quim…
Há um sentimento muito contraditório nisto tudo, é que os mesmos que sonhavam e exigiam (irracionalmente) que Portugal chegasse à final, eram os mesmos que estavam desejosos que Portugal caísse para poderem desancar em Queiroz. No início ninguém acreditava no seleccionador, só nos sonhos e nos “feelings”, mas no fim para “bater” já é nos homens de carne e osso, e não fazem uma auto-crítica sobre a forma como sonharam desmedidamente. Os mesmo que criticaram ferozmente o empate frente à Costa do Marfim (que nos deu a qualificação), foram os que mais efusivos ficaram com a goleada à Coreia do Norte, não percebendo que tirámos (muito bem) partido do balanceamento ofensivo e do cansaço dos pobres coreanos. Podíamos ter passado em 1º? Podíamos! Evitávamos a Espanha? Ninguém sabia, mas era uma possibilidade! Pensavam que iam até à final a apanhar o Japão, Paraguai, Chile e depois Uruguai, no jogo decisivo, por exemplo? Pois, o problema do país é os “esfomeados de crítica”. Tal como na vida social gostam de viver acima daquilo que podem!
O mais triste disto é que parece que essa gente ficou mais contente com a derrota, pois assim podem criticar (sem razão) tudo e todos, do que com a vitória, caso ela aparecesse…
Despedir Queiroz? Volto a insistir que nunca fui um adepto de Queiroz, e continuo a não ser, mas quem pensa na sua saída só pode estar a querer desejar um futuro muito negro à “nossa” selecção!!! Antes da crítica, deveria haver reflexão (daí só escrever hoje)...
P.S.: Para todos os efeitos só daqui a 4 anos saberei se a minha reflexão foi a mais racional!
Ahh e deixem-me dizer que depois da resposta à situação de Cristiano Ronaldo, sobre "a camisola ser pequena..." foi o melhor início de Queiroz no novo ciclo, pois chame-se Ronaldo, Deco, Nani, ou Zé da esquina, a selecção está acima de tudo!
João Vasco Nunes - Canto Curto especial Mundial'2010
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Canto Curto
A oportunidade ideal…
Em meados de Dezembro e quando já as baterias aqueciam para o Mundial que está aí à porta, deparei-me em conversa com os meus amigos sobre qual seria a selecção surpresa da prova. A minha aposta era claramente a Costa do Marfim! Eles riam-se de mim e diziam que nem passavam da fase de grupos. Ora o sorteio ditou precisamente que a equipa de Drogba jogasse contra a das quinas… rapidamente tive que mudar de opinião, não por ter mudado de ideias, mas sim apenas por patriotismo. Agora tenho que mandar para o ar talvez uma Sérvia, México ou Nigéria…
A ideia que eu tinha acerca dos costa-marfinenses reforça ainda mais o facto de o grupo de Portugal ser fortíssimo. A selecção de todos nós vive dias de descrença e muitos não acreditam na passagem à próxima fase. Em 2000 aos vinte minutos do jogo de estreia a descrença devia ser tanta como a de agora. Certamente que todos já tinham chamado mil e um nomes ao Baía, Couto, Rui Costa, Figo e companhia… mas no fim esse jogo tornou-se na melhor e maior recuperação e exibição que alguma vez vi de Portugal, para além do sucesso que obtivemos na prova.
Portugal a partir daí ficou conhecido por vencer sempre as equipas mais complicadas, ao contrário do que aconteceu em 2002, com menos exigência e pressão foi o que se viu. Ora em 2000 tínhamos Alemanha, Inglaterra e Roménia – não a de hoje-em-dia – no grupo e conseguimos o “milagre”. Em 2010 voltamos a ter um grupo difícil e com o pouco animo com que os portugueses olham para a selecção, esta pode ser a oportunidade ideal para dar a volta a isso. Basta-nos surpreender, até o Brasil quem sabe, e a onda começa a formar-se. A altura é a ideal! Ninguém acredita nos jogadores e talvez eles possam surpreender os críticos, exactamente como em 2000.
Acho que muita coisa está mal na selecção, mas continuo com um estranho “feeling”. Se tivesse que apostar todo o meu dinheiro numa das 32 equipas para vencer o Mundial, votava certamente em Portugal, não sei porquê, já confessei. Chamem-me louco à vontade, eu compreendo.
Para os mais descrentes metam o tema oficial do Campeonato do Mundo a tocar – cantado por Shakira - e deixem-se levar pela magia dos ritmos africanos… pois o Mundial está aí à porta e agora já não há lugar para a crítica. A partir daqui é que se vai ver quem é o mais forte! Temos todos os condimentos reunidos para que se faça as pazes com a nossa selecção. É esta a oportunidade ideal!
P.S: Gostava só que os jogadores de Portugal sentissem mais o hino, pois metade nem o canta. O hino devia ser a nossa marca, devia ser aquilo que puxava pela nação e no entanto isso já não se passa. Em 2000, ainda ia o hino a meio e já estávamos a ganhar de goleada!
João Vasco Nunes
Em meados de Dezembro e quando já as baterias aqueciam para o Mundial que está aí à porta, deparei-me em conversa com os meus amigos sobre qual seria a selecção surpresa da prova. A minha aposta era claramente a Costa do Marfim! Eles riam-se de mim e diziam que nem passavam da fase de grupos. Ora o sorteio ditou precisamente que a equipa de Drogba jogasse contra a das quinas… rapidamente tive que mudar de opinião, não por ter mudado de ideias, mas sim apenas por patriotismo. Agora tenho que mandar para o ar talvez uma Sérvia, México ou Nigéria…
A ideia que eu tinha acerca dos costa-marfinenses reforça ainda mais o facto de o grupo de Portugal ser fortíssimo. A selecção de todos nós vive dias de descrença e muitos não acreditam na passagem à próxima fase. Em 2000 aos vinte minutos do jogo de estreia a descrença devia ser tanta como a de agora. Certamente que todos já tinham chamado mil e um nomes ao Baía, Couto, Rui Costa, Figo e companhia… mas no fim esse jogo tornou-se na melhor e maior recuperação e exibição que alguma vez vi de Portugal, para além do sucesso que obtivemos na prova.
Portugal a partir daí ficou conhecido por vencer sempre as equipas mais complicadas, ao contrário do que aconteceu em 2002, com menos exigência e pressão foi o que se viu. Ora em 2000 tínhamos Alemanha, Inglaterra e Roménia – não a de hoje-em-dia – no grupo e conseguimos o “milagre”. Em 2010 voltamos a ter um grupo difícil e com o pouco animo com que os portugueses olham para a selecção, esta pode ser a oportunidade ideal para dar a volta a isso. Basta-nos surpreender, até o Brasil quem sabe, e a onda começa a formar-se. A altura é a ideal! Ninguém acredita nos jogadores e talvez eles possam surpreender os críticos, exactamente como em 2000.
Acho que muita coisa está mal na selecção, mas continuo com um estranho “feeling”. Se tivesse que apostar todo o meu dinheiro numa das 32 equipas para vencer o Mundial, votava certamente em Portugal, não sei porquê, já confessei. Chamem-me louco à vontade, eu compreendo.
Para os mais descrentes metam o tema oficial do Campeonato do Mundo a tocar – cantado por Shakira - e deixem-se levar pela magia dos ritmos africanos… pois o Mundial está aí à porta e agora já não há lugar para a crítica. A partir daqui é que se vai ver quem é o mais forte! Temos todos os condimentos reunidos para que se faça as pazes com a nossa selecção. É esta a oportunidade ideal!
P.S: Gostava só que os jogadores de Portugal sentissem mais o hino, pois metade nem o canta. O hino devia ser a nossa marca, devia ser aquilo que puxava pela nação e no entanto isso já não se passa. Em 2000, ainda ia o hino a meio e já estávamos a ganhar de goleada!
João Vasco Nunes
terça-feira, 25 de maio de 2010
Canto Curto
Ainda não é a valer...
Muita tinta fez rolar o empate obtido por Portugal frente à sua modesta congénere de Cabo-Verde. É óbvio que não foi uma exibição convincente, muito menos o resultado pode agradar a alguém. Mas neste momento nada perdemos! Estamos exactamente iguais, excepto no descrédito que paira no ar sobre a selecção (que devia ser) de todos nós. O Mundial ainda não começou, logo não é preciso tanto alarmismo, muito menos tanta crítica. Ainda assim concordo com aqueles que não gostaram do jogo. Concordo, aceito, mas não apupo! Já chega de perseguição à nossa selecção...
Olhemos para o passado, para o Brasil de Scolari que foi Campeão Mundial em 2002, por exemplo. Chegaram ao Mundial envoltos em controvérsia. O escrete não ganhava a praticamente ninguém nos amigáveis e viu-se “grego” para se qualificar. Portugal em 2004, nos jogos de preparação antes do Euro que acolhemos, idem. Ainda assim, não foi por isso que ambas deixaram de ter sucesso.
Foi um jogo feio, mau de se ver e que certamente não queremos repetir esta experiência. Mas há que olhar para pontos positivos: Ontem ficamos a saber que temos defesa esquerdo para os próximos anos. E não é um defesa esquerdo de “desenrasce”, mas sim uma mais valia. Podem dizer que Coentrão contra adversários mais fortes não sabe defender, mas pelo contrário acho que é nisso que ele se destaca naquela posição. Raçudo, aguerrido e sem medo é raro perder um lance na ala esquerda... e depois tem aquele apetite ofensivo que esteve à mostra de todos, até daqueles que não querem ver!
Até começar temos as mesmas hipóteses que as outras selecções. O mais difícil é passar a fase de grupos porque a partir daí é “mata-mata” e tudo pode acontecer. Isto tudo parece muito surreal , e volto a repetir que longe de mim ser defensor de Queiroz – mas também não sou detractor – mas até dia 15 continuo a “ter um feeling”... depois logo se verá. Por agora deixem-me sonhar, e por favor se não gostam, não protestem, não rebaixem ainda mais a selecção, porque não é isso que aqueles jogadores precisam certamente. A selecção é de todos nós, não são os clubes que irão à África do Sul, mas sim a equipa do nosso país, país esse que é comum a todos!
João Vasco Nunes
Muita tinta fez rolar o empate obtido por Portugal frente à sua modesta congénere de Cabo-Verde. É óbvio que não foi uma exibição convincente, muito menos o resultado pode agradar a alguém. Mas neste momento nada perdemos! Estamos exactamente iguais, excepto no descrédito que paira no ar sobre a selecção (que devia ser) de todos nós. O Mundial ainda não começou, logo não é preciso tanto alarmismo, muito menos tanta crítica. Ainda assim concordo com aqueles que não gostaram do jogo. Concordo, aceito, mas não apupo! Já chega de perseguição à nossa selecção...
Olhemos para o passado, para o Brasil de Scolari que foi Campeão Mundial em 2002, por exemplo. Chegaram ao Mundial envoltos em controvérsia. O escrete não ganhava a praticamente ninguém nos amigáveis e viu-se “grego” para se qualificar. Portugal em 2004, nos jogos de preparação antes do Euro que acolhemos, idem. Ainda assim, não foi por isso que ambas deixaram de ter sucesso.
Foi um jogo feio, mau de se ver e que certamente não queremos repetir esta experiência. Mas há que olhar para pontos positivos: Ontem ficamos a saber que temos defesa esquerdo para os próximos anos. E não é um defesa esquerdo de “desenrasce”, mas sim uma mais valia. Podem dizer que Coentrão contra adversários mais fortes não sabe defender, mas pelo contrário acho que é nisso que ele se destaca naquela posição. Raçudo, aguerrido e sem medo é raro perder um lance na ala esquerda... e depois tem aquele apetite ofensivo que esteve à mostra de todos, até daqueles que não querem ver!
Até começar temos as mesmas hipóteses que as outras selecções. O mais difícil é passar a fase de grupos porque a partir daí é “mata-mata” e tudo pode acontecer. Isto tudo parece muito surreal , e volto a repetir que longe de mim ser defensor de Queiroz – mas também não sou detractor – mas até dia 15 continuo a “ter um feeling”... depois logo se verá. Por agora deixem-me sonhar, e por favor se não gostam, não protestem, não rebaixem ainda mais a selecção, porque não é isso que aqueles jogadores precisam certamente. A selecção é de todos nós, não são os clubes que irão à África do Sul, mas sim a equipa do nosso país, país esse que é comum a todos!
João Vasco Nunes
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Canto Curto
Quando a Taça é pouco…
Chegou ao fim a época 2009/10. O Porto venceu a última partida oficial da temporada nacional, conquistando a Taça, num jogo onde a tradicional festa do Jamor se cumpriu, e o Chaves teve o prazer de participar nela.
Agora resta-nos esperar pelo Mundial e pelas notícias de verão sobre as novas caras dos “grandes” para a próxima temporada. A não ser isto, o dia-a-dia do futebol nacional acalmou com o fim da época, excepto num parâmetro: a continuadade, ou não, de Jesualdo Ferreira no FC Porto…
Jesualdo bateu o recorde de épocas no comando dos dragões (4), nas últimas três foi campeão “limpinho” e desde o final do seu primeiro ano no cargo que se especulou muito sobre a sua saída. Muitos, como eu por exemplo, devem achar injusto o clima de dúvidas que sempre pairou sobre Jesualdo no Porto, ainda para mais quando o professor, ano após ano, teve que obrigatoriamente reconstruir equipas vencedoras, pois os seus principais trunfos saíam sempre para o exterior.
Esta época foi a menos conseguida de Jesualdo ao serviço do Porto porque não conseguiu essa tal reconstrução do plantel, apesar de contar com um dos melhores avançados que alguma vez actuou em Portugal. Só neste final de temporada conseguiu articular melhor a equipa e até tirar um “coelho da cartola”: o colombiano Guarin, que nestes últimos jogos se mostrou em muito bom nível e quem sabe se não será uma certeza no futuro do dragão?
Repito esta foi a época menos conseguida do professor como treinador do Porto… mas por ser a pior, não quer dizer que seja má! O Porto venceu Supertaça e Taça de Portugal, e em quatro anos, isso ser o pior registo é porque o trabalho de Jesualdo é de muitíssima qualidade…
Quando se coloca em causa a continuidade de um treinador tricampeão, num ano em que ele só (!?) ganha duas competições, isto quer dizer muito da exigência que se vive no Porto e sob a presidência de Pinto da Costa. Aqui está uma diferença da “organização” do clube que mais ganha em Portugal nos últimos anos e dos outros “grandes” que passam épocas inteiras sem quaisquer troféus!
P.S. (1): Esta última frase, como é lógico, tem a excepção do Benfica de Jesus 09/10.
P.S. (2): Apesar dos elogios ao professor Jesualdo e de o achar muito competente enquanto técnico de futebol, há que registar o desgaste da sua imagem perante a imprensa, veja-se a última conferência após a final do Jamor, e a sua incoerência de discurso, demonstrada muitas vezes também perante essa mesma imprensa. Ainda assim penso que se o Porto mudar… não muda para melhor, até porque meio plantel está do lado do actual “mister” e a equipa estava a encarrilar no final da época, começando a praticar um futebol muito interessante…
João Vasco Nunes
Chegou ao fim a época 2009/10. O Porto venceu a última partida oficial da temporada nacional, conquistando a Taça, num jogo onde a tradicional festa do Jamor se cumpriu, e o Chaves teve o prazer de participar nela.
Agora resta-nos esperar pelo Mundial e pelas notícias de verão sobre as novas caras dos “grandes” para a próxima temporada. A não ser isto, o dia-a-dia do futebol nacional acalmou com o fim da época, excepto num parâmetro: a continuadade, ou não, de Jesualdo Ferreira no FC Porto…
Jesualdo bateu o recorde de épocas no comando dos dragões (4), nas últimas três foi campeão “limpinho” e desde o final do seu primeiro ano no cargo que se especulou muito sobre a sua saída. Muitos, como eu por exemplo, devem achar injusto o clima de dúvidas que sempre pairou sobre Jesualdo no Porto, ainda para mais quando o professor, ano após ano, teve que obrigatoriamente reconstruir equipas vencedoras, pois os seus principais trunfos saíam sempre para o exterior.
Esta época foi a menos conseguida de Jesualdo ao serviço do Porto porque não conseguiu essa tal reconstrução do plantel, apesar de contar com um dos melhores avançados que alguma vez actuou em Portugal. Só neste final de temporada conseguiu articular melhor a equipa e até tirar um “coelho da cartola”: o colombiano Guarin, que nestes últimos jogos se mostrou em muito bom nível e quem sabe se não será uma certeza no futuro do dragão?
Repito esta foi a época menos conseguida do professor como treinador do Porto… mas por ser a pior, não quer dizer que seja má! O Porto venceu Supertaça e Taça de Portugal, e em quatro anos, isso ser o pior registo é porque o trabalho de Jesualdo é de muitíssima qualidade…
Quando se coloca em causa a continuidade de um treinador tricampeão, num ano em que ele só (!?) ganha duas competições, isto quer dizer muito da exigência que se vive no Porto e sob a presidência de Pinto da Costa. Aqui está uma diferença da “organização” do clube que mais ganha em Portugal nos últimos anos e dos outros “grandes” que passam épocas inteiras sem quaisquer troféus!
P.S. (1): Esta última frase, como é lógico, tem a excepção do Benfica de Jesus 09/10.
P.S. (2): Apesar dos elogios ao professor Jesualdo e de o achar muito competente enquanto técnico de futebol, há que registar o desgaste da sua imagem perante a imprensa, veja-se a última conferência após a final do Jamor, e a sua incoerência de discurso, demonstrada muitas vezes também perante essa mesma imprensa. Ainda assim penso que se o Porto mudar… não muda para melhor, até porque meio plantel está do lado do actual “mister” e a equipa estava a encarrilar no final da época, começando a praticar um futebol muito interessante…
João Vasco Nunes
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Canto Curto
Só nos resta rezar...
Sempre fui daqueles que acreditei no apuramento da selecção para o Mundial, mesmo quando isso já era praticamente impossível. Depois da qualificação (muito) sofrida, em que eu não sei bem explicar porque sempre acreditei, fiquei com a sensação que Queiroz só pelo seu passado poderia chegar ao sucesso. Sinceramente não sei dizer porquê, e admito que me chamem maluco, mas acho que desde a chegada de Queiroz, apesar de não ser um defensor dele, tenho um certo "feeling"... mesmo considerando a maioria das opções do seleccionador discutíveis.
Hoje poderia criticar aqui muita coisa na convocatória para a África do Sul, que a meu ver e de muitos, está - não digo mal- um pouco dúbia. Todos podemos discutir as opções por 6 centrais, tendo em conta que um deles é Ricardo Costa, a chamada de Daniel Fernandes, Coentrão, a ausência de Moutinho, entre muitas outras coisas... Mas pelo contrário prefiro seguir o meu feeling, deixar as criticas para trás e fechar os olhos àquilo que para muitos adeptos é uma grande injustiça!
A partir de hoje, e em excepção de um, este são os nossos eleitos para o Mundial. Eu sou o primeiro a achar que não temos uma equipa capaz de algo minimamente louvável. Não temos jogadores para repetir feitos passados. Mas estranhamente o meu intimo obriga-me também a ser o primeiro a acreditar que algo de surpreendente pode acontecer no Mundial. Algo me diz, que depois do sucesso nos Mundiais de sub-20 o seleccionador nacional, pode dobrar o Cabo da Boa Esperança e concretizar um enorme feito!
Volto a repetir que nem eu próprio compreendo este "feeling", por isso também não vos obrigo a compreende-lo, mas uma coisa é certa, a convocatória já foi, agora resta-nos apoiar a equipa. E para além disso, e de toda a minha fé, resta-nos rezar e muito a uma tal Santa, presente nos últimos anos da equipa das quinas. É que mesmo não querendo criticar, com muitos destes convocados, bem vamos precisar de uma ajuda divina... ainda assim "I gotta a feeling"!
João Vasco Nunes
Sempre fui daqueles que acreditei no apuramento da selecção para o Mundial, mesmo quando isso já era praticamente impossível. Depois da qualificação (muito) sofrida, em que eu não sei bem explicar porque sempre acreditei, fiquei com a sensação que Queiroz só pelo seu passado poderia chegar ao sucesso. Sinceramente não sei dizer porquê, e admito que me chamem maluco, mas acho que desde a chegada de Queiroz, apesar de não ser um defensor dele, tenho um certo "feeling"... mesmo considerando a maioria das opções do seleccionador discutíveis.
Hoje poderia criticar aqui muita coisa na convocatória para a África do Sul, que a meu ver e de muitos, está - não digo mal- um pouco dúbia. Todos podemos discutir as opções por 6 centrais, tendo em conta que um deles é Ricardo Costa, a chamada de Daniel Fernandes, Coentrão, a ausência de Moutinho, entre muitas outras coisas... Mas pelo contrário prefiro seguir o meu feeling, deixar as criticas para trás e fechar os olhos àquilo que para muitos adeptos é uma grande injustiça!
A partir de hoje, e em excepção de um, este são os nossos eleitos para o Mundial. Eu sou o primeiro a achar que não temos uma equipa capaz de algo minimamente louvável. Não temos jogadores para repetir feitos passados. Mas estranhamente o meu intimo obriga-me também a ser o primeiro a acreditar que algo de surpreendente pode acontecer no Mundial. Algo me diz, que depois do sucesso nos Mundiais de sub-20 o seleccionador nacional, pode dobrar o Cabo da Boa Esperança e concretizar um enorme feito!
Volto a repetir que nem eu próprio compreendo este "feeling", por isso também não vos obrigo a compreende-lo, mas uma coisa é certa, a convocatória já foi, agora resta-nos apoiar a equipa. E para além disso, e de toda a minha fé, resta-nos rezar e muito a uma tal Santa, presente nos últimos anos da equipa das quinas. É que mesmo não querendo criticar, com muitos destes convocados, bem vamos precisar de uma ajuda divina... ainda assim "I gotta a feeling"!
João Vasco Nunes
terça-feira, 4 de maio de 2010
Canto Curto
O lápis azul
Este passado domingo, juntamente com o espectáculo de futebol que se desenrolou dentro das quatro linhas, assistimos também às cenas mais degradantes que rodeiam o desporto nacional. Neste capítulo estamos ao nível de Croácias, Argentinas e afins…
Até em Espanha, onde a rivalidade entre Barça e Real Madrid está mais assente na sociedade devido a inúmeras questões socioculturais, não se assiste a estes episódios tristes protagonizados por autênticos animais. Recentemente, e depois de um clássico espanhol determinante para o título e da ameaça que pairava sobre os merengues de os seus eternos rivais poderem jogar a final da Champions no seu estádio, presidentes dos dois clubes e treinadores vieram dar uma “bofetada de luva branca” àquilo que se passa no “futebolzinho” português. Florentino Pérez veio a público, depois de todas as declarações polémicas de ambos os lados, dizer que o Barça se fosse à final da Champions iria ser bem recebido no Bernabéu, como se estivesse a jogar em casa. O Barcelona não chegou à final, mas ficou a intenção. Isto sim é dar o exemplo aos adeptos, isto sim é uma mensagem para acalmar as hostes, ao contrário da miséria de dirigismo que existe em Portugal, que só serve para mandar “bitaite” para o jornal e incentivar o crime no desporto: O presidente de um clube profere das declarações mais “violentas” que se pode ouvir, o outro tenta ir atrás e responder da mesma moeda. Uma vergonha este futebol português! Para mais, quando deviam ser os primeiros a dar o exemplo aos seus adeptos e não os primeiros a incentivar a desacatos, que é isso que realmente está nas entrelinhas dos seus discursos. Muita gente não tem noção do barril de pólvora que se vive no futebol português (culpa dos dirigentes dos clubes grandes, sem excepção), que provavelmente só acabará quando houver algum massacre. Só quando existir mortes as entidades competentes vão perceber o quão irresponsáveis são, e no fim não se devia condenar nem a claque de um clube nem de outro, mas sim os seus presidentes. Os dirigentes são os principais culpados disso e, ao contrário do que se passa em Espanha, conseguem lançar ainda mais achas para a fogueira. Neste patamar de “podridão” do dirigismo português incluo também a Federação, porque nada consegue fazer para evitar isto, sem perceber que este clima de rivalidade afasta cada vês mais os portugueses da selecção, levando os clubismos também para esse campo!
Para finalizar quero atribuir a culpa também à Comunicação Social, porque preferem dar grandes páginas a declarações acéfalas dos personagens do costume, ao invés de salientar os grandes feitos noutras modalidades. Esses feitos dos verdadeiros “heróis do mar”, que não são os heróis do dinheiro, da fruta, do chocolate e dos direitos da TV, ficam destinados sempre ao mesmo cantinho. Por exemplo, no jornal Record ao invés de na véspera do Clássico de Domingo,se dar grande destaque a uma antevisão mentecapta do senhor Rodolfo Reis a dizer que o “Porto deveria por gente no túnel a provocar jogadores do Benfica”, poderiam dar ênfase antes, a João Pina, Telma Monteiro, Frederico Gil, Rui Machado, Vanessa Fernandes, Tiago Pires, Rui Silva, Nélson Évora, equipa de andebol do Sporting, equipa de hóquei do Porto, entre muitos outros. Esses sim são os verdadeiros intérpretes do desporto nacional, não os habituais energúmenos que aparecem todos os dias a “babarem-se” nas capas dos jornais, provocando este clima de terror nos estádios portugueses. Para mim, cada vez que uma besta (sim, digo bestas, porque menos fazem que provocar comportamentos animalescos nos seus adeptos) dessas falasse, utilizava logo o lápis azul! Há por aí pelo desporto português quem mereça mais destaque que esta “gentalha”…
João Vasco Nunes
Este passado domingo, juntamente com o espectáculo de futebol que se desenrolou dentro das quatro linhas, assistimos também às cenas mais degradantes que rodeiam o desporto nacional. Neste capítulo estamos ao nível de Croácias, Argentinas e afins…
Até em Espanha, onde a rivalidade entre Barça e Real Madrid está mais assente na sociedade devido a inúmeras questões socioculturais, não se assiste a estes episódios tristes protagonizados por autênticos animais. Recentemente, e depois de um clássico espanhol determinante para o título e da ameaça que pairava sobre os merengues de os seus eternos rivais poderem jogar a final da Champions no seu estádio, presidentes dos dois clubes e treinadores vieram dar uma “bofetada de luva branca” àquilo que se passa no “futebolzinho” português. Florentino Pérez veio a público, depois de todas as declarações polémicas de ambos os lados, dizer que o Barça se fosse à final da Champions iria ser bem recebido no Bernabéu, como se estivesse a jogar em casa. O Barcelona não chegou à final, mas ficou a intenção. Isto sim é dar o exemplo aos adeptos, isto sim é uma mensagem para acalmar as hostes, ao contrário da miséria de dirigismo que existe em Portugal, que só serve para mandar “bitaite” para o jornal e incentivar o crime no desporto: O presidente de um clube profere das declarações mais “violentas” que se pode ouvir, o outro tenta ir atrás e responder da mesma moeda. Uma vergonha este futebol português! Para mais, quando deviam ser os primeiros a dar o exemplo aos seus adeptos e não os primeiros a incentivar a desacatos, que é isso que realmente está nas entrelinhas dos seus discursos. Muita gente não tem noção do barril de pólvora que se vive no futebol português (culpa dos dirigentes dos clubes grandes, sem excepção), que provavelmente só acabará quando houver algum massacre. Só quando existir mortes as entidades competentes vão perceber o quão irresponsáveis são, e no fim não se devia condenar nem a claque de um clube nem de outro, mas sim os seus presidentes. Os dirigentes são os principais culpados disso e, ao contrário do que se passa em Espanha, conseguem lançar ainda mais achas para a fogueira. Neste patamar de “podridão” do dirigismo português incluo também a Federação, porque nada consegue fazer para evitar isto, sem perceber que este clima de rivalidade afasta cada vês mais os portugueses da selecção, levando os clubismos também para esse campo!
Para finalizar quero atribuir a culpa também à Comunicação Social, porque preferem dar grandes páginas a declarações acéfalas dos personagens do costume, ao invés de salientar os grandes feitos noutras modalidades. Esses feitos dos verdadeiros “heróis do mar”, que não são os heróis do dinheiro, da fruta, do chocolate e dos direitos da TV, ficam destinados sempre ao mesmo cantinho. Por exemplo, no jornal Record ao invés de na véspera do Clássico de Domingo,se dar grande destaque a uma antevisão mentecapta do senhor Rodolfo Reis a dizer que o “Porto deveria por gente no túnel a provocar jogadores do Benfica”, poderiam dar ênfase antes, a João Pina, Telma Monteiro, Frederico Gil, Rui Machado, Vanessa Fernandes, Tiago Pires, Rui Silva, Nélson Évora, equipa de andebol do Sporting, equipa de hóquei do Porto, entre muitos outros. Esses sim são os verdadeiros intérpretes do desporto nacional, não os habituais energúmenos que aparecem todos os dias a “babarem-se” nas capas dos jornais, provocando este clima de terror nos estádios portugueses. Para mim, cada vez que uma besta (sim, digo bestas, porque menos fazem que provocar comportamentos animalescos nos seus adeptos) dessas falasse, utilizava logo o lápis azul! Há por aí pelo desporto português quem mereça mais destaque que esta “gentalha”…
João Vasco Nunes
terça-feira, 27 de abril de 2010
Canto Curto
Os três grandes e o enorme...
No futebol português sempre se fez a distinção entre aqueles que eram os três grandes e os outros todos, ou seja, o(s) resto(s). Em curtos espaços de tempo raras aparições foram feitas, como o Boavista campeão, ou o Guimarães de há três épocas atrás. Certo é que o tempo se encarregou de os voltar a colocar no lugar deles, nos tais "restos", sem que a tentativa de se afirmarem como 4º grande fosse bem sucedida.
Nos dias que correm temos assistido ao fenómeno Braga. O Bragão de Domingos Paciência que, por ironia ou não, consegue adiar constantemente o mais que previsível título do Benfica. Repare-se que o Benfica se perder no Dragão poderá ser campeão apenas na última jornada, ou nem ser caso acuse a pressão da responsabilidade da vitória na recepção ao Rio Ave. É certo que o Benfica a ser vencedor é um justo campeão, o melhor Benfica dos últimos 20 anos, e comparando com outras equipas só o Porto de Mourinho se equivale. Foi sem dúvida a equipa que mais espéctaculo deu. Mas raparem que a melhor equipa a praticar futebol dos últimos anos, pode eventualmente chegar à 30.ª jornada sem ser campeã. No mínimo curioso. Algo que vai retirar algum mérito à conquista e levantar a especulação dos túneis nas bocas dos adeptos rivais. Lembremo-nos dos últimos títulos do Porto, que sem a espectacularidade do Benfica de Jesus, foi campeão a maior parte das vezes com muita antecedência e sempre pode festejar em casa com os cabelos pintados e afins. O melhor Benfica dos últimos anos pode sofrer a particularidade de nem isso conseguir fazer. Em caso do Porto vencer no Domingo, resolve-se tudo na última jornada e os cabelos pintados e a festa antecipada tem que ficar para outro ano alhures no tempo.
Com isto não quero retirar mérito ao Benfica, até porque comparado com os últimos anos do Porto de Jesualdo acho a equipa da Luz equivalente, senão melhor. Quero sim destacar quem não permite a festa desejada do Benfica. O super Braga.
Se olharmos para as últimas conquistas de Jesualdo, este Braga, talvez tivesse até conseguido superar o Porto pentacampeão. Os guerreiros do Minho estiveram perto de 20(!) jornadas na liderança e depois de a perder nunca cederam na perseguição ao líder. Só uma nódoa no registo, a meu ver, Domingos não quis discutir o jogo na Luz. O jogo que provavelmente deu o título ao Benfica. Domingos foi jogar, como se estivesse a orientar o Braga de há 4/5 anos atrás, um Braga em 4º,5º ou 6º lugar. Se Domingos tivesse assumido um Braga à "grande" na Luz, sem medos e sem receios, talvez nesta altura a tabela da Liga estivesse diferente.
Domingos não se assumiu como um grande, mas justiça seja feita, o Braga não tem que lutar para ser o 4º grande, mas tem que se tentar manter o Braga "Enorme" que tem mostrado ser. Esta ponta final bracarense tem sido algo de grande nível, veja-se o 4-0 à Naval, numa jornada que a pressão estava toda do seu lado, onde não podiam vacilar. Só uma equipa "enorme" pode retardar o título da equipa mais vistosa dos últimos anos em Portugal. Por outro lado, se este Braga não fosse enorme então como classificaríamos o Sporting desta época...
João Vasco Nunes
No futebol português sempre se fez a distinção entre aqueles que eram os três grandes e os outros todos, ou seja, o(s) resto(s). Em curtos espaços de tempo raras aparições foram feitas, como o Boavista campeão, ou o Guimarães de há três épocas atrás. Certo é que o tempo se encarregou de os voltar a colocar no lugar deles, nos tais "restos", sem que a tentativa de se afirmarem como 4º grande fosse bem sucedida.
Nos dias que correm temos assistido ao fenómeno Braga. O Bragão de Domingos Paciência que, por ironia ou não, consegue adiar constantemente o mais que previsível título do Benfica. Repare-se que o Benfica se perder no Dragão poderá ser campeão apenas na última jornada, ou nem ser caso acuse a pressão da responsabilidade da vitória na recepção ao Rio Ave. É certo que o Benfica a ser vencedor é um justo campeão, o melhor Benfica dos últimos 20 anos, e comparando com outras equipas só o Porto de Mourinho se equivale. Foi sem dúvida a equipa que mais espéctaculo deu. Mas raparem que a melhor equipa a praticar futebol dos últimos anos, pode eventualmente chegar à 30.ª jornada sem ser campeã. No mínimo curioso. Algo que vai retirar algum mérito à conquista e levantar a especulação dos túneis nas bocas dos adeptos rivais. Lembremo-nos dos últimos títulos do Porto, que sem a espectacularidade do Benfica de Jesus, foi campeão a maior parte das vezes com muita antecedência e sempre pode festejar em casa com os cabelos pintados e afins. O melhor Benfica dos últimos anos pode sofrer a particularidade de nem isso conseguir fazer. Em caso do Porto vencer no Domingo, resolve-se tudo na última jornada e os cabelos pintados e a festa antecipada tem que ficar para outro ano alhures no tempo.
Com isto não quero retirar mérito ao Benfica, até porque comparado com os últimos anos do Porto de Jesualdo acho a equipa da Luz equivalente, senão melhor. Quero sim destacar quem não permite a festa desejada do Benfica. O super Braga.
Se olharmos para as últimas conquistas de Jesualdo, este Braga, talvez tivesse até conseguido superar o Porto pentacampeão. Os guerreiros do Minho estiveram perto de 20(!) jornadas na liderança e depois de a perder nunca cederam na perseguição ao líder. Só uma nódoa no registo, a meu ver, Domingos não quis discutir o jogo na Luz. O jogo que provavelmente deu o título ao Benfica. Domingos foi jogar, como se estivesse a orientar o Braga de há 4/5 anos atrás, um Braga em 4º,5º ou 6º lugar. Se Domingos tivesse assumido um Braga à "grande" na Luz, sem medos e sem receios, talvez nesta altura a tabela da Liga estivesse diferente.
Domingos não se assumiu como um grande, mas justiça seja feita, o Braga não tem que lutar para ser o 4º grande, mas tem que se tentar manter o Braga "Enorme" que tem mostrado ser. Esta ponta final bracarense tem sido algo de grande nível, veja-se o 4-0 à Naval, numa jornada que a pressão estava toda do seu lado, onde não podiam vacilar. Só uma equipa "enorme" pode retardar o título da equipa mais vistosa dos últimos anos em Portugal. Por outro lado, se este Braga não fosse enorme então como classificaríamos o Sporting desta época...
João Vasco Nunes
domingo, 18 de abril de 2010
Canto Curto
Tese final de licenciatura
Esta semana o Canto Curto irá aparecer um dia mais cedo face ao jogo decisivo que se disputa este domingo: Académica - Benfica, pois é sobre ele que vou escrever, logo a razão de tal antecipação.
Tive oportunidade de falar esta semana sobre o assunto, no nosso programa Treinador de Bancada. Antes do derby de Lisboa considerei esta partida como sendo de igual importância à que se disputou na terça. Muito simples. Se o Benfica sair derrotado hoje de Coimbra volta novamente o medo da deslocação ao Dragão a pairar sobre os adeptos benfiquistas. Muitos pensavam que essa missão apenas podia estar ao alcance do Sporting, e que passado esse teste o título estaria arrumado, mas no meu ponto de vista o Benfica para ter o título (praticamente) assegurado teria que vencer tanto o Sporting como a Académica.
Os estudantes são liderados pelo “treinador da moda”, André Villas-Boas, e em jogos que já observei da Académica frente a grandes, a equipa é muito organizada. O “onze” de Coimbra espelha a imagem do seu treinador, com carácter, sem medo do adversário!
Por tudo isto considero a deslocação do Benfica a Coimbra como um jogo de elevado risco, principalmente depois da vitória do Braga frente aos Leixões. Muitos não acreditam que a equipa possa escorregar hoje, muito menos lhes passa pela cabeça que o título possa fugir, mas atenção que esta noite muito se decide, e muito se pode complicar. Aliás as manchetes desta semana que “ofereciam” já (!) o título ao Benfica, tinham muito pouco de inocentes. Até Domingos, – já para não falar das palavras de Villas-Boas na antevisão ao jogo - o treinador do Braga, já alinhou pelo discurso de louvor ao futuro campeão, ou não, porque tudo isto tem escondido por trás a vontade de adormecer o Benfica e fazer com que os jogadores entrem em descompressão nos desafios que ainda faltam, sendo o desta noite o mais importante para a conquista da Liga 2009/10. Coimbra é a tese final que falta à equipa de Jorge Jesus para alcançar a “licenciatura” que é este campeonato!
A juntar a isto ainda existem outros pequenos factores que podem ser muito determinantes. Esta semana formulei uma tese, que até pode ser pura especulação ou coincidência. Observei que esta época o Benfica apenas perdeu pontos contra treinadores assumidamente (ex-jogadores ou treinadores, não apenas adeptos) afectos aos outros grandes. Veja-se o Braga venceu o Benfica e é liderado por Domingos ex-jogador do porto, depois foi a vez do Olhanense de Jorge Costa a roubar pontos, também ele ex-jogador dos dragões. Ainda temos o Setúbal de Manuel Fernandes, lenda do Sporting, que roubou dois pontos às águias. Só Carvalhal sai fora desta teoria (empate à frente de Marítimo e do Sporting), ainda assim o treinador leonino é um confesso adepto do Braga e ex-jogador, que curiosamente é o adversário do Benfica na luta pelo título. Junto mais um nome à lista, Augusto Inácio, que perdeu as duas vezes com os encarnados, mas numa foi fora e aos 89 minutos na outra esteve a vencer por dois golos, isto mostra a ambição perante os rivais, ele que foi jogador de Porto e Sporting. Isto também se passa com o Porto e Sporting vice-versa, certamente que em outras épocas que disputaram o título, são sempre os treinadores afectos a clubes rivais que têm mais vontade de “prejudicar”, pontualmente falando, o líder.
Para terminar, posso acrescentar que logo à noite vai ser um jogo de “mata-mata” para o Benfica que quer ser camepão, mas nesta lógica anterior pode ser também um jogo decisivo para Villas-Boas. Assim como para Jorge Costa para a semana, ou seja estas duas jornadas vão ser uma espécie de meia-final, entre o treinador da Académica e Olhanense. Ora, se algum deles porventura complicar a vida ao Benfica poderá ganhar vantagem ao outro em relação a quem será próximo treinador do Porto. Aquele que cumprir melhor a missão poderá ganhar este “mata-mata”, até pode não ser o próximo técnico do Dragão, mas certamente que ganha vantagem em relação a um adversário, e atira-o para fora dessa corrida...
João Vasco Nunes
Esta semana o Canto Curto irá aparecer um dia mais cedo face ao jogo decisivo que se disputa este domingo: Académica - Benfica, pois é sobre ele que vou escrever, logo a razão de tal antecipação.
Tive oportunidade de falar esta semana sobre o assunto, no nosso programa Treinador de Bancada. Antes do derby de Lisboa considerei esta partida como sendo de igual importância à que se disputou na terça. Muito simples. Se o Benfica sair derrotado hoje de Coimbra volta novamente o medo da deslocação ao Dragão a pairar sobre os adeptos benfiquistas. Muitos pensavam que essa missão apenas podia estar ao alcance do Sporting, e que passado esse teste o título estaria arrumado, mas no meu ponto de vista o Benfica para ter o título (praticamente) assegurado teria que vencer tanto o Sporting como a Académica.
Os estudantes são liderados pelo “treinador da moda”, André Villas-Boas, e em jogos que já observei da Académica frente a grandes, a equipa é muito organizada. O “onze” de Coimbra espelha a imagem do seu treinador, com carácter, sem medo do adversário!
Por tudo isto considero a deslocação do Benfica a Coimbra como um jogo de elevado risco, principalmente depois da vitória do Braga frente aos Leixões. Muitos não acreditam que a equipa possa escorregar hoje, muito menos lhes passa pela cabeça que o título possa fugir, mas atenção que esta noite muito se decide, e muito se pode complicar. Aliás as manchetes desta semana que “ofereciam” já (!) o título ao Benfica, tinham muito pouco de inocentes. Até Domingos, – já para não falar das palavras de Villas-Boas na antevisão ao jogo - o treinador do Braga, já alinhou pelo discurso de louvor ao futuro campeão, ou não, porque tudo isto tem escondido por trás a vontade de adormecer o Benfica e fazer com que os jogadores entrem em descompressão nos desafios que ainda faltam, sendo o desta noite o mais importante para a conquista da Liga 2009/10. Coimbra é a tese final que falta à equipa de Jorge Jesus para alcançar a “licenciatura” que é este campeonato!
A juntar a isto ainda existem outros pequenos factores que podem ser muito determinantes. Esta semana formulei uma tese, que até pode ser pura especulação ou coincidência. Observei que esta época o Benfica apenas perdeu pontos contra treinadores assumidamente (ex-jogadores ou treinadores, não apenas adeptos) afectos aos outros grandes. Veja-se o Braga venceu o Benfica e é liderado por Domingos ex-jogador do porto, depois foi a vez do Olhanense de Jorge Costa a roubar pontos, também ele ex-jogador dos dragões. Ainda temos o Setúbal de Manuel Fernandes, lenda do Sporting, que roubou dois pontos às águias. Só Carvalhal sai fora desta teoria (empate à frente de Marítimo e do Sporting), ainda assim o treinador leonino é um confesso adepto do Braga e ex-jogador, que curiosamente é o adversário do Benfica na luta pelo título. Junto mais um nome à lista, Augusto Inácio, que perdeu as duas vezes com os encarnados, mas numa foi fora e aos 89 minutos na outra esteve a vencer por dois golos, isto mostra a ambição perante os rivais, ele que foi jogador de Porto e Sporting. Isto também se passa com o Porto e Sporting vice-versa, certamente que em outras épocas que disputaram o título, são sempre os treinadores afectos a clubes rivais que têm mais vontade de “prejudicar”, pontualmente falando, o líder.
Para terminar, posso acrescentar que logo à noite vai ser um jogo de “mata-mata” para o Benfica que quer ser camepão, mas nesta lógica anterior pode ser também um jogo decisivo para Villas-Boas. Assim como para Jorge Costa para a semana, ou seja estas duas jornadas vão ser uma espécie de meia-final, entre o treinador da Académica e Olhanense. Ora, se algum deles porventura complicar a vida ao Benfica poderá ganhar vantagem ao outro em relação a quem será próximo treinador do Porto. Aquele que cumprir melhor a missão poderá ganhar este “mata-mata”, até pode não ser o próximo técnico do Dragão, mas certamente que ganha vantagem em relação a um adversário, e atira-o para fora dessa corrida...
João Vasco Nunes
terça-feira, 13 de abril de 2010
Canto Curto
Derbi
Logo, mais junto à noite, precisamente às 20:45 horas, todos irão estar colados ao ecrã para assistir ao derbi de todas as paixões. Ao derbi português, Benfica e Sporting frente-a-frente no Está da Luz. Uns lutam pelo título, outros pela dignidade. Para o Benfica, uma derrota pode complicar as contas da Liga Sagres, uma vitória deixa as águias a três finais do tão desejado título de campeão nacional. Para o Sporting uma vitória será especial, vencer os eternos rivais depois de uma época tão desastrada, e tão positiva para os lados da Luz, seria um enorme paradoxo que deixaria os adeptos leoninos cheios de orgulho. Para além disso poderiam comprometer as contas do Benfica, o que todos os leões, sem excepção, desejam. Certamente o Sporting quererá repetir a vitória de 1986, precisamente ocorrida a 13 de Abril. Caso o Sporting seja derrotado... não há mesmo nada a perder, logo o desafio de logo à noite vai ser ainda mais aliciante.
Juntam-se todos estes pormenores que decidem jogos grandes, esquecem-se os casos de túneis e companhia, apelando sim ao espectáculo, temos tudo o que é necessário para assistir a um grande duelo entre Benfica e Sporting. Por isso só falta ir comprar os amendoins, para a companhia ser perfeita.
Junte-se ainda a este derbi, a frieza de Nené, o instinto de Jardel, a raça de Toni, o brio de Manuel Fernandes, a espontaneidade de Isaías, o brilhantismo de Damas, e o génio de João Pinto. Que logo à noite, exista a magia de Di Maria, a velocidade de Djaló, a espectacularidade de David Luiz, o dinamismo de Moutinho, a potência de Cardozo, o engenho de Liedson, e também o melhor de João Ferreira.
Privilegiem o espectáculo, afaste-se a podridão que tem rodeado o futebol português...
Um bom derbi para todos!
João Vasco Nunes
Logo, mais junto à noite, precisamente às 20:45 horas, todos irão estar colados ao ecrã para assistir ao derbi de todas as paixões. Ao derbi português, Benfica e Sporting frente-a-frente no Está da Luz. Uns lutam pelo título, outros pela dignidade. Para o Benfica, uma derrota pode complicar as contas da Liga Sagres, uma vitória deixa as águias a três finais do tão desejado título de campeão nacional. Para o Sporting uma vitória será especial, vencer os eternos rivais depois de uma época tão desastrada, e tão positiva para os lados da Luz, seria um enorme paradoxo que deixaria os adeptos leoninos cheios de orgulho. Para além disso poderiam comprometer as contas do Benfica, o que todos os leões, sem excepção, desejam. Certamente o Sporting quererá repetir a vitória de 1986, precisamente ocorrida a 13 de Abril. Caso o Sporting seja derrotado... não há mesmo nada a perder, logo o desafio de logo à noite vai ser ainda mais aliciante.
Juntam-se todos estes pormenores que decidem jogos grandes, esquecem-se os casos de túneis e companhia, apelando sim ao espectáculo, temos tudo o que é necessário para assistir a um grande duelo entre Benfica e Sporting. Por isso só falta ir comprar os amendoins, para a companhia ser perfeita.
Junte-se ainda a este derbi, a frieza de Nené, o instinto de Jardel, a raça de Toni, o brio de Manuel Fernandes, a espontaneidade de Isaías, o brilhantismo de Damas, e o génio de João Pinto. Que logo à noite, exista a magia de Di Maria, a velocidade de Djaló, a espectacularidade de David Luiz, o dinamismo de Moutinho, a potência de Cardozo, o engenho de Liedson, e também o melhor de João Ferreira.
Privilegiem o espectáculo, afaste-se a podridão que tem rodeado o futebol português...
Um bom derbi para todos!
João Vasco Nunes
terça-feira, 6 de abril de 2010
Canto Curto
Se mais duvidas houvessem…
O Benfica reagiu, ontem na Figueira da Foz, da melhor forma possível aos críticos. Se o Benfica esta época já havia ganho de todas as formas e feitios, o jogo de ontem conseguiu mostrar ainda outra faceta dos encarnados: O espírito de campeão!
Para além da determinação e da vontade de vencer dos pupilos de JJ, a reviravolta no marcador veio também por ponto final na polémica do caso Hulk. O Porto mesmo com Hulk estaria ao nível deste Benfica? Não, ou melhor nunca, e até nesse aspecto o Benfica não tem dado azo a que a especulação seja alimentada, ou seja, as vitórias constantes do Benfica negam qualquer tipo de argumentação de Pinto da Costa e seus pares.
Ontem o Benfica foi mais longe que o habitual. A equipa orientada por Jorge Jesus “deu-se ao luxo” de jogar apenas uma partida de 75 minutos, e deixou que o adversário entrasse a ganhar por dois golos. Uma loucura, pensei eu e muitas mais pessoas, pois nesta altura determinante da época e numa deslocação tão complicada, tudo isto parecia suicídio. Resta lembrar que para a Liga Sagres o Benfica nunca tinha conseguido dar a volta ao jogo. Eu sei que no ano passado com Quique Flores, e até em anos anteriores, era normal o Benfica dar 45 minutos de avanço às outras equipas, mas o saldo final nunca era como o apresentado ontem frente à Naval. Só uma grande equipa consegue dar a volta a um jogo que esteve a perder por dois, só uma equipa muito organizada e estruturada consegue dar a volta a um jogo em 10 minutos, só uma equipa muito determinada e ambiciosa consegue empatar um jogo num minuto. Só uma equipa Campeã consegue fazer o que fez ontem!
Se fosse preciso provar mais alguma coisa, o Benfica mostrou ontem outro tipo de recursos. Até na rotação do plantel o Benfica consegue ser melhor, visto o herói de ontem, ser um jogador que há muito não se via no 11 de Jesus, Weldon.
Se mais duvidas houvessem, foram desfeitas ontem à noite, e não só na Figueira.
É que uma hora mais tarde estava o “transfigurado” amigo Barroso a admitir a superioridade e o merecimento em ser campeão, deste Benfica. Lembremo-nos que o cirurgião aqui há dois meses dizia que o Benfica nunca tinha tido um teste sério e que o Sporting tinha menos derrotas que o Benfica a contar para todas as competições.
Se o doutor o diz, é porque não há mesmo nada a contestar no sucesso das “águias”, nem mérito algum a tirar, por isso encerro aqui esta questão!
João Vasco Nunes
O Benfica reagiu, ontem na Figueira da Foz, da melhor forma possível aos críticos. Se o Benfica esta época já havia ganho de todas as formas e feitios, o jogo de ontem conseguiu mostrar ainda outra faceta dos encarnados: O espírito de campeão!
Para além da determinação e da vontade de vencer dos pupilos de JJ, a reviravolta no marcador veio também por ponto final na polémica do caso Hulk. O Porto mesmo com Hulk estaria ao nível deste Benfica? Não, ou melhor nunca, e até nesse aspecto o Benfica não tem dado azo a que a especulação seja alimentada, ou seja, as vitórias constantes do Benfica negam qualquer tipo de argumentação de Pinto da Costa e seus pares.
Ontem o Benfica foi mais longe que o habitual. A equipa orientada por Jorge Jesus “deu-se ao luxo” de jogar apenas uma partida de 75 minutos, e deixou que o adversário entrasse a ganhar por dois golos. Uma loucura, pensei eu e muitas mais pessoas, pois nesta altura determinante da época e numa deslocação tão complicada, tudo isto parecia suicídio. Resta lembrar que para a Liga Sagres o Benfica nunca tinha conseguido dar a volta ao jogo. Eu sei que no ano passado com Quique Flores, e até em anos anteriores, era normal o Benfica dar 45 minutos de avanço às outras equipas, mas o saldo final nunca era como o apresentado ontem frente à Naval. Só uma grande equipa consegue dar a volta a um jogo que esteve a perder por dois, só uma equipa muito organizada e estruturada consegue dar a volta a um jogo em 10 minutos, só uma equipa muito determinada e ambiciosa consegue empatar um jogo num minuto. Só uma equipa Campeã consegue fazer o que fez ontem!
Se fosse preciso provar mais alguma coisa, o Benfica mostrou ontem outro tipo de recursos. Até na rotação do plantel o Benfica consegue ser melhor, visto o herói de ontem, ser um jogador que há muito não se via no 11 de Jesus, Weldon.
Se mais duvidas houvessem, foram desfeitas ontem à noite, e não só na Figueira.
É que uma hora mais tarde estava o “transfigurado” amigo Barroso a admitir a superioridade e o merecimento em ser campeão, deste Benfica. Lembremo-nos que o cirurgião aqui há dois meses dizia que o Benfica nunca tinha tido um teste sério e que o Sporting tinha menos derrotas que o Benfica a contar para todas as competições.
Se o doutor o diz, é porque não há mesmo nada a contestar no sucesso das “águias”, nem mérito algum a tirar, por isso encerro aqui esta questão!
João Vasco Nunes
segunda-feira, 29 de março de 2010
Canto Curto
Incrível regresso
Esta jornada de futebol ficou marcada pela vitória do Benfica frente ao Braga, num jogo que pode ter sido decisivo para o desfecho da liga. Mas não só os encarnados dominaram as atenções do fim-de-semana futebolístico, o regresso de Hulk à competição depois de revogado o seu castigo também mereceu nota de destaque.
O jogo em Belém foi marcado pelo regresso incrível de Hulk, ou então pelo regresso do incrível Hulk, como quiserem. O que é certo é que se tratou do regresso do admirável Hulk novo. Até pode ter sido só pela suposta "fome de bola" como disseram muitos, ou então para mostrar aos responsáveis do futebol português o quão injustiçado se sentia o avançado brasileiro, mas o que é certo é que o Hulk que pisou ontem o relvado do Restelo era um jogador diferente, um novo jogador.
Hulk esteve muito bem, trabalhou para a equipa (até que enfim que compreendeu que a sua equipa joga com mais dez para além dele), desequilibrou com as suas acelerações e percebeu quando deve soltar a bola aos seus companheiros (resultado disso foram duas assistências). Estas palavras nem são somente minhas, aliás foi praticamente isto que Jesualdo frisou no final do jogo.
Ora se o próprio Jesualdo o diz quem somo nós para contrariar. Uma coisa é certa, Hulk era no passado um jogador individualista em excesso, arrastava 4/5 jogadores consigo e depois não sabia soltar a bola no timing certo, não tirando o Porto partido das consequentes superioridades numéricas caso o incrível soltasse a bola.
Em suma, Hulk era um jogador que gostava de "ir contra o muro", ou seja, individualista q.b. sem perceber as necessidades da sua equipa, e para além disso marcava um grande golo de dez em dez jornadas. E para Jesualdo ter dito o que disse é porque algo mudou, e se algo mudou é porque Jesualdo sabia destas "fraquezas" do jogador, caso contrário não tinha frisado a mudança de atitude de Hulk e a sua contribuição para o colectivo.
Se Hulk não voltar ao passado pode vir a ser muito mais completo, muito mais regular e incisivo, tornando-se muito mais perigoso do que aquilo que já é. Que as estatísticas valem pouco, valem! Mas por alguma coisa as estatísticas mostram que o Porto criava mais sem Hulk em campo, apesar de este poder vir a resolver em qualquer partida.
A exibição de ontem do "homem verde" veio ainda levantar mais suspeitas sobre onde poderia chegar o Porto sem a suspensão de Hulk. Mas mais importante que isso, no meu ponto de vista, é o facto do Porto ter ganho um jogador novo, um jogador que ganhou carácter durante o período de castigo. Sem esta "pausa" de Hulk o Porto teria mais ponto menos ponto, daí a falsa questão de um caso que apesar de tudo é de lamentar.
Sendo de lamentar não posso deixar de dizer que há males que vêm por bem, pois talvez esta suspensão tenha feito Hulk repensar o seu modo de jogar e principalmente de agir.
Assim como acho que o brasileiro se transformou na forma de jogar, também aposto que nunca mais irá "esbarrar" dentro de um túnel, independentemente se foi provocado ou não. Os super-heróis são incríveis, e Hulk também o é, logo os super-heróis não podem ter atitudes como as que vimos, para não dar maus exemplos às criancinhas que seguem o seu herói. Há males que vêm por bem!
João Vasco Nunes
Esta jornada de futebol ficou marcada pela vitória do Benfica frente ao Braga, num jogo que pode ter sido decisivo para o desfecho da liga. Mas não só os encarnados dominaram as atenções do fim-de-semana futebolístico, o regresso de Hulk à competição depois de revogado o seu castigo também mereceu nota de destaque.
O jogo em Belém foi marcado pelo regresso incrível de Hulk, ou então pelo regresso do incrível Hulk, como quiserem. O que é certo é que se tratou do regresso do admirável Hulk novo. Até pode ter sido só pela suposta "fome de bola" como disseram muitos, ou então para mostrar aos responsáveis do futebol português o quão injustiçado se sentia o avançado brasileiro, mas o que é certo é que o Hulk que pisou ontem o relvado do Restelo era um jogador diferente, um novo jogador.
Hulk esteve muito bem, trabalhou para a equipa (até que enfim que compreendeu que a sua equipa joga com mais dez para além dele), desequilibrou com as suas acelerações e percebeu quando deve soltar a bola aos seus companheiros (resultado disso foram duas assistências). Estas palavras nem são somente minhas, aliás foi praticamente isto que Jesualdo frisou no final do jogo.
Ora se o próprio Jesualdo o diz quem somo nós para contrariar. Uma coisa é certa, Hulk era no passado um jogador individualista em excesso, arrastava 4/5 jogadores consigo e depois não sabia soltar a bola no timing certo, não tirando o Porto partido das consequentes superioridades numéricas caso o incrível soltasse a bola.
Em suma, Hulk era um jogador que gostava de "ir contra o muro", ou seja, individualista q.b. sem perceber as necessidades da sua equipa, e para além disso marcava um grande golo de dez em dez jornadas. E para Jesualdo ter dito o que disse é porque algo mudou, e se algo mudou é porque Jesualdo sabia destas "fraquezas" do jogador, caso contrário não tinha frisado a mudança de atitude de Hulk e a sua contribuição para o colectivo.
Se Hulk não voltar ao passado pode vir a ser muito mais completo, muito mais regular e incisivo, tornando-se muito mais perigoso do que aquilo que já é. Que as estatísticas valem pouco, valem! Mas por alguma coisa as estatísticas mostram que o Porto criava mais sem Hulk em campo, apesar de este poder vir a resolver em qualquer partida.
A exibição de ontem do "homem verde" veio ainda levantar mais suspeitas sobre onde poderia chegar o Porto sem a suspensão de Hulk. Mas mais importante que isso, no meu ponto de vista, é o facto do Porto ter ganho um jogador novo, um jogador que ganhou carácter durante o período de castigo. Sem esta "pausa" de Hulk o Porto teria mais ponto menos ponto, daí a falsa questão de um caso que apesar de tudo é de lamentar.
Sendo de lamentar não posso deixar de dizer que há males que vêm por bem, pois talvez esta suspensão tenha feito Hulk repensar o seu modo de jogar e principalmente de agir.
Assim como acho que o brasileiro se transformou na forma de jogar, também aposto que nunca mais irá "esbarrar" dentro de um túnel, independentemente se foi provocado ou não. Os super-heróis são incríveis, e Hulk também o é, logo os super-heróis não podem ter atitudes como as que vimos, para não dar maus exemplos às criancinhas que seguem o seu herói. Há males que vêm por bem!
João Vasco Nunes
segunda-feira, 22 de março de 2010
Canto Curto
Agora é que percebo o meu pai!
Tenho permanente na memória a lembrança de quando era mais novo e ia ao futebol com o meu pai. Aquilo que acontece hoje em dia na final da Taça de Portugal, em plena mata, era o que acontecia na minha infância todos os fins-de-semana. Festa, peregrinação, romaria, etc. … Saíamos cedo de casa mais uns quantos amigos, apesar de os jogos serem à tarde. Geralmente esses amigos era toda a “malta” da terra que ia “à bola”. Por volta do meio-dia tiravam-se os garrafões e as bifanas dos carros e seguia a festa!
Contudo, durante toda a época futebolística existiam sempre duas ou três excepções. A desculpa do meu pai foi durante anos a mesma: havia muita confusão. Eu não compreendia e revoltava-me constantemente.
Ainda assim um dia comecei a entender melhor o meu pai. Imagens que tiveram tanto de marcante como de chocante. Tinha os meus 6/7 anos quando assisti na TV pública a tristes incidentes. Não queria acreditar no que via, porque sempre pensei que ninguém fosse capaz de tamanha barbárie. A imagem de um adepto idoso do Boavista a ser pontapeado na cara por dois jovens adeptos do Porto, foi coisa que nunca me saiu da memória. Nunca me esquecerei de tal selvajaria.
Desde esse dia passei a aceitar a ideia do meu pai que alguns jogos não eram convenientes para eu ir assistir. Mais tarde com cerca de 14 anos, assisti pela primeira vez a esses tais “jogos da confusão”. Para mim já não havia a sensação de antigamente, aquela festa que nos levava ao estádio, com jogos a meio da tarde.
Os dias são outros, as tradições já não são as mesmas. Antigamente apenas os adeptos de um clube por semana tinham a alegria de ver o seu clube jogar na TV. Ainda sou do tempo de ter que ouvir os jogos na rádio e esperar pelo marcador a piscar no programa de desporto da RTP2. Sempre que havia um golo em qualquer estádio o marcador actualizava no canto do televisor. Saudades desse tempo!
Passados alguns anos, verificam-se cenas deprimentes envolvendo adeptos de clubes. Claques organizadas que inclusive são apoiadas pelas direcções dos próprios clubes. Até podem dizer que não apoiam as claques, mas uma coisa é certa são as claques que têm acesso a bilhetes mais baratos e isto sem serem sócios do clube. Este bando de cobardes e falhados deveriam ser proibidos de entrar nos estádios e pelo contrário são os primeiros a ter a certeza de adquirir um ingresso para os jogos do seu clube.
Assim como o meu pai não me levava ao futebol quando eu era miúdo, qualquer indivíduo com dois dedos de testa pensa duas vezes em levar a sua criança a um estádio de futebol. É verdade que só se mete em confusão quem quer, mas segundo as palavras do senhor Fernando Mendes da juve leo, qualquer mulher ou criança também serve de troféu. Enfim, lamentável!
É por tudo isto que sinto necessidade de dizer: Obrigado pai por nunca me teres levado a um jogo grande...
João Vasco Nunes
segunda-feira, 15 de março de 2010
Canto Curto
É dos carecas que ele gosta menos...
Depois dos últimos jogos de Portugal, mais nomeadamente depois da última convocatória do Prof. Queiroz, ficamos todos a saber que o seleccionador nacional não "vai muito à bola" com carecas. Pelo menos deve ser essa a razão para a não convocação de um dos melhores centrais portugueses da actualidade. Se a razão disso não for a inversão deste famoso ditado português, então o professor de certeza que não segue com atenção a La Liga, nem sequer deve saber quem é o 5º classificado da Liga BBVA, que na semana passada até era 4º. Falo de Nunes, central do Maiorca. O ex-Braga passa por um grande momento de forma, à excepção da última jornada em que foi expulso. Para além de não se compreender porque Nunes nunca foi chamado, também não se percebe quando para esse lugar são chamados Tonel, Rolando, Ricardo Costa, etc... Sei que o central do Sporting está em bom momento, que Rolando já o teve e é regular, mas Nunes parece-me uns níveis acima deste dois, por exemplo. Nem que seja apenas por jogar numa liga de maior valor que a portuguesa. Se estivessemos a falar da chamada de Meira para o seu lugar, ou até mesmo Daniel Carriço, ainda se compreendia, mas penso que nada justifica o facto de Nunes nunca ter sido chamada à selecção das Quinas.
Mas não é a única situação que não compreendo na selecção, pois penso que já cansa algumas declarações do senhor Deco. Pela terceira vez nos últimos meses, o luso-brasileiro conseguiu demonstrar que para além de não ter esperança na campanha lusa no Mundial, parece ter mais vontade de actuar pelo Brasil do que por Portugal. Não fosse só isso suficiente para achar que ele não deveria fazer parte do lote de 23 que vão ao Mundial, eu aponto ainda algumas razões desportivas. Deco mal jogou esta época. Passou mais tempo na "prateleira" que no relvado (contando com treinos). Eu não queria entrar nesta questão dos naturalizados e não-naturalizados, mas Deco, quanto a mim, não é merecedor da convocatória final, até pela carga negativa que tem demonstrado. Como podemos levar um jogador para uma "batalha" em que ele próprio não acredita nas suas "tropas"?
Ainda aponto mais duas razões desportivas, a primeira indiscutível, outra nem tanto. A primeira razão chama-se Ruben Micael, penso que está altura de Deco e tem que ser ele o titular da selecção. Fisicamente nem os podemos comparar! A segunda razão chama-se Nuno Assis. Pela época que tem feito, pelo momento que atravessa, acho merecedor de uma oportunidade. Isto tudo porque uma selecção deveria ser composta pelos que se apresentam em melhor forma, porque senão voltamos ao tempo da "equipa de Scolari", Sr.º Queiroz...
João Vasco Nunes
Depois dos últimos jogos de Portugal, mais nomeadamente depois da última convocatória do Prof. Queiroz, ficamos todos a saber que o seleccionador nacional não "vai muito à bola" com carecas. Pelo menos deve ser essa a razão para a não convocação de um dos melhores centrais portugueses da actualidade. Se a razão disso não for a inversão deste famoso ditado português, então o professor de certeza que não segue com atenção a La Liga, nem sequer deve saber quem é o 5º classificado da Liga BBVA, que na semana passada até era 4º. Falo de Nunes, central do Maiorca. O ex-Braga passa por um grande momento de forma, à excepção da última jornada em que foi expulso. Para além de não se compreender porque Nunes nunca foi chamado, também não se percebe quando para esse lugar são chamados Tonel, Rolando, Ricardo Costa, etc... Sei que o central do Sporting está em bom momento, que Rolando já o teve e é regular, mas Nunes parece-me uns níveis acima deste dois, por exemplo. Nem que seja apenas por jogar numa liga de maior valor que a portuguesa. Se estivessemos a falar da chamada de Meira para o seu lugar, ou até mesmo Daniel Carriço, ainda se compreendia, mas penso que nada justifica o facto de Nunes nunca ter sido chamada à selecção das Quinas.
Mas não é a única situação que não compreendo na selecção, pois penso que já cansa algumas declarações do senhor Deco. Pela terceira vez nos últimos meses, o luso-brasileiro conseguiu demonstrar que para além de não ter esperança na campanha lusa no Mundial, parece ter mais vontade de actuar pelo Brasil do que por Portugal. Não fosse só isso suficiente para achar que ele não deveria fazer parte do lote de 23 que vão ao Mundial, eu aponto ainda algumas razões desportivas. Deco mal jogou esta época. Passou mais tempo na "prateleira" que no relvado (contando com treinos). Eu não queria entrar nesta questão dos naturalizados e não-naturalizados, mas Deco, quanto a mim, não é merecedor da convocatória final, até pela carga negativa que tem demonstrado. Como podemos levar um jogador para uma "batalha" em que ele próprio não acredita nas suas "tropas"?
Ainda aponto mais duas razões desportivas, a primeira indiscutível, outra nem tanto. A primeira razão chama-se Ruben Micael, penso que está altura de Deco e tem que ser ele o titular da selecção. Fisicamente nem os podemos comparar! A segunda razão chama-se Nuno Assis. Pela época que tem feito, pelo momento que atravessa, acho merecedor de uma oportunidade. Isto tudo porque uma selecção deveria ser composta pelos que se apresentam em melhor forma, porque senão voltamos ao tempo da "equipa de Scolari", Sr.º Queiroz...
João Vasco Nunes
terça-feira, 9 de março de 2010
Canto Curto
Ficção Nacional
Ainda mal chegámos à recta final do campeonato e na nossa imprensa desportiva já se ouvem ecos do futuro, ou seja, já se especula o que poderá acontecer na próxima temporada. Claro que tudo não passa de rumores, por enquanto. Desta feita, os intervenientes mudaram, em vez de se especular transferências de jogadores para os grandes, este ano a moda são os treinadores. É caso para dizer que este período de "defeso antecipado" está ao nível das novelas da TVI, não vivesse a nossa imprensa sempre à custa disso.
Apesar de todos estes rumores serem de lamentar, ainda por cima em tempo de decisões na liga o que poderá "mexer" com o ambiente de alguns balneários que ainda lutam por algum objectivo, há que enaltecer o facto de os "actores" (leia-se intervenientes) serem todos portugueses. Parece que na próxima época, os grandes com o Braga incluído, estão apostados em apostar no que é nacional, ou seja a liga 2010/2011 será uma "produção" 100% portuguesa.
Permitam-me também a mim "especular" um pouco. Começando pelo Porto, a saída de Jesualdo parece iminente. Mesmo que o Porto passe hoje frente ao Arsenal (espero que sim como português) e ganhando as Taças, ou só uma delas, isso não me parece suficiente para sustentar o professor! Substitutos? A imprensa fala muito em Domingos, até poderá ser. Mas penso que o ex-jogador Portista poderá querer continuar mais uma época no Minho, para tirar proveito do seu trabalho e participar com o Braga na Champions. António Salvador e Carlos Freitas também deverão fazer tudo para o manter visto, perder dois treinadores com obra feita em dois anos, ser um rude golpe nas aspirações Bracarenses. Mas caso isso aconteça, uma boa alternativa em Braga poderia ser o regresso de Paulo Bento à actividade. Aliás, penso que para regressar, Bento, apenas tenha essa hipótese. Vejamos os clubes onde Paulo Bento poderia encaixar... Porto, difícil. Benfica, impossível. Guimarães, muito bem servido actualmente. Resta o Braga e talvez o Marítimo, caso Van der Gaag não continue, mas mesmo assim não será fácil Paulo Bento embarcar nesse desafio. Um regresso do professor Jesualdo ou de Carvalhal ao Minho, também não se põe de lado, mas mesmo assim parece-me algo desajustado. Ao professor restará mesmo o estrangeiro porque não vejo outras paragens para ele em Portugal. Outra situação viável, seria Paulo Sérgio, mas trocar o seu actual clube pelo rival parece algo impossível. Carvalhal depois deste actual momento, está a lançar a sua carreira que parecia perdida. Um ingresso no Porto seria uma "bomba", algo surpreendente até.
Soluções para o Porto não parecem ir além de Domingos, visto que o Sporting "roubou" e bem André Villas-Boas. Talvez, acontecendo a situação de Domingos ficar em Braga, Pinto da Costa dê mais um ano a Jesualdo, para poder assim esperar pelo jovem treinador do Braga.
No Sporting, apesar da discussão acerca do timing do anúncio do actual treinador da Briosa, acho que foi uma situação muito acertada. Por muitas e óbvias razões que já foram faladas e que poderei um dia mais à frente falar e confirmar, qui mesmo. Muito se disse sobre o "novo Mourinho", que apenas por ser adjunto dele não queria dizer que fosse como ele. Agora que já tive tempo para observar e não falar a frio, já posso dizer que não é como Mourinho, não senhor. Mas é um treinador com carácter, super organizado e muito ambicioso. Olhamos para a Académica e tudo isso está espelhado na equipa, que por acaso no inicio da época eu considerava o pior plantel em termos individuais da Liga. Mas a grande diferença é essa, só com uma ou duas individualidades, Villas-Boas construiu uma equipa no seu todo, e daí posteriormente saíram umas quantas "novas" individualidades.
Para culminar e apesar de todo este enredo, volto a vincar a ideia de que é muito bom que se aposte em treinadores nacionais, principalmente nos grandes. Pois em Portugal há muita gente com competência e hoje-em-dia existe um vasto leque de opções com muito potencial que prova isso. Agora falta o resto. Perder o medo e apostar também em jogadores nacionais. Existe muito potencial na nossa liga principal e não só. Mas para que estes jogadores mostrem o seu potencial são necessárias oportunidades. E tudo isto se tornou ainda mais visível quando Mourinho ganhou a Uefa e Champions com reforços vindo do Leiria e Setúbal, por exemplo.
João Vasco Nunes
Ainda mal chegámos à recta final do campeonato e na nossa imprensa desportiva já se ouvem ecos do futuro, ou seja, já se especula o que poderá acontecer na próxima temporada. Claro que tudo não passa de rumores, por enquanto. Desta feita, os intervenientes mudaram, em vez de se especular transferências de jogadores para os grandes, este ano a moda são os treinadores. É caso para dizer que este período de "defeso antecipado" está ao nível das novelas da TVI, não vivesse a nossa imprensa sempre à custa disso.
Apesar de todos estes rumores serem de lamentar, ainda por cima em tempo de decisões na liga o que poderá "mexer" com o ambiente de alguns balneários que ainda lutam por algum objectivo, há que enaltecer o facto de os "actores" (leia-se intervenientes) serem todos portugueses. Parece que na próxima época, os grandes com o Braga incluído, estão apostados em apostar no que é nacional, ou seja a liga 2010/2011 será uma "produção" 100% portuguesa.
Permitam-me também a mim "especular" um pouco. Começando pelo Porto, a saída de Jesualdo parece iminente. Mesmo que o Porto passe hoje frente ao Arsenal (espero que sim como português) e ganhando as Taças, ou só uma delas, isso não me parece suficiente para sustentar o professor! Substitutos? A imprensa fala muito em Domingos, até poderá ser. Mas penso que o ex-jogador Portista poderá querer continuar mais uma época no Minho, para tirar proveito do seu trabalho e participar com o Braga na Champions. António Salvador e Carlos Freitas também deverão fazer tudo para o manter visto, perder dois treinadores com obra feita em dois anos, ser um rude golpe nas aspirações Bracarenses. Mas caso isso aconteça, uma boa alternativa em Braga poderia ser o regresso de Paulo Bento à actividade. Aliás, penso que para regressar, Bento, apenas tenha essa hipótese. Vejamos os clubes onde Paulo Bento poderia encaixar... Porto, difícil. Benfica, impossível. Guimarães, muito bem servido actualmente. Resta o Braga e talvez o Marítimo, caso Van der Gaag não continue, mas mesmo assim não será fácil Paulo Bento embarcar nesse desafio. Um regresso do professor Jesualdo ou de Carvalhal ao Minho, também não se põe de lado, mas mesmo assim parece-me algo desajustado. Ao professor restará mesmo o estrangeiro porque não vejo outras paragens para ele em Portugal. Outra situação viável, seria Paulo Sérgio, mas trocar o seu actual clube pelo rival parece algo impossível. Carvalhal depois deste actual momento, está a lançar a sua carreira que parecia perdida. Um ingresso no Porto seria uma "bomba", algo surpreendente até.
Soluções para o Porto não parecem ir além de Domingos, visto que o Sporting "roubou" e bem André Villas-Boas. Talvez, acontecendo a situação de Domingos ficar em Braga, Pinto da Costa dê mais um ano a Jesualdo, para poder assim esperar pelo jovem treinador do Braga.
No Sporting, apesar da discussão acerca do timing do anúncio do actual treinador da Briosa, acho que foi uma situação muito acertada. Por muitas e óbvias razões que já foram faladas e que poderei um dia mais à frente falar e confirmar, qui mesmo. Muito se disse sobre o "novo Mourinho", que apenas por ser adjunto dele não queria dizer que fosse como ele. Agora que já tive tempo para observar e não falar a frio, já posso dizer que não é como Mourinho, não senhor. Mas é um treinador com carácter, super organizado e muito ambicioso. Olhamos para a Académica e tudo isso está espelhado na equipa, que por acaso no inicio da época eu considerava o pior plantel em termos individuais da Liga. Mas a grande diferença é essa, só com uma ou duas individualidades, Villas-Boas construiu uma equipa no seu todo, e daí posteriormente saíram umas quantas "novas" individualidades.
Para culminar e apesar de todo este enredo, volto a vincar a ideia de que é muito bom que se aposte em treinadores nacionais, principalmente nos grandes. Pois em Portugal há muita gente com competência e hoje-em-dia existe um vasto leque de opções com muito potencial que prova isso. Agora falta o resto. Perder o medo e apostar também em jogadores nacionais. Existe muito potencial na nossa liga principal e não só. Mas para que estes jogadores mostrem o seu potencial são necessárias oportunidades. E tudo isto se tornou ainda mais visível quando Mourinho ganhou a Uefa e Champions com reforços vindo do Leiria e Setúbal, por exemplo.
João Vasco Nunes
terça-feira, 2 de março de 2010
Canto Curto
O que mudou no Sporting!?
Nesta última semana assistiu-se a uma grande reviravolta no futebol leonino. Duas grandes vitórias contra dois enormes adversários. Assim se vai alimentando o sonho do Leão, no única prova que resta, a Liga Europa. Os adeptos e os jogadores do Sporting pedem que "os deixem sonhar" e têm toda a legitimidade para tal!
Entrando mais no campo de jogo e "esmiuçando" as teias tácticas do fenómeno que é o futebol, o que terá mudado tanto assim no Sporting? O que pode fazer tirar uma equipa do abismo para em 3 dias passar ao céu? Pode-se dizer que o Sporting foi do 8 ao 80 e o que acham que contribuiu mais para isso?
É legitimo dizer que há mais motivação, logo isso também iliba o seu treinador de alguma culpa porque quem joga como jogou contra o Everton e o Porto, tinha obrigação de fazer mais no passado. E aí os jogadores é que são responsáveis pela sua motivação, ou falta dela, confiança, etc... Tudo bem que necessitavam de um grande êxito, mas isso não justifica tão pobres exibições, como a de Olhão, por exemplo.
Mas no meu ponto de vista o que mais mudou, mesmo comparando a actual equipa à de Paulo Bento, foi um simples pormenor. Um pormenor que não se restringe à troca de um jogador por outro, mas sim ao local onde esse jogador actua. Paulo Bento não tinha este Izmailov (estava lesionado) e sempre se queixou disso, também não tinha Pedro Mendes que já está em clara ascensão de forma, principalmente física. Mas Paulo Bento não se pode queixar do tão falados reforços, porque João Pereira que era titular indiscutivel, deixou de o ser com as prestações de Abel nos últimos jogos e Pongolle ainda mal jogou.
A grande diferença, de toda a época para estes dois jogos, foi a entrada de um jogador para uma posição onde não costuma actuar. Yannick Djaló! O jovem internacional português andou nestas últimas épocas "mascarado" de avançado, mas agora todos percebemos que Yannick talvez se dê melhor e seja mais influente junto à linha com os seus movimentos interiores. Era anti-natura, ou seja, imaginem um leão na savana, e depois outro leão mas no jardim zoológico. Claro que não é o mesmo, e disso se ressentia o próprio jogador, que não passava de um avançado medíocre, muito irregular e inconstante, com alguma velocidade mas muito pouca inteligência. Nesta nova era Carvalhal, em 3 dias Djaló transformou-se num ala desiquilimbrante, virtuoso muito rápido e com mais inteligência. O resto vem por acréscimo... a confiança, a motivação, tudo isso faz com que as coisas lhe saiam melhor.
Apesar de precisar de ganhar ainda mais inteligência, de forma a decidir melhor os lances e o que fazer à bola, este Yannick Djaló foi com toda a certeza a grande arma de Carvalhal nesta reviravolta leonina dos últimos dias, a juntar claro a Izmailov, Pedro Mendes, à veia goleadora de Veloso e ao espírito de equipa. Como se ouviu numa reportagem na TV logo a seguir ao jogo de Domingo, Djaló foi um jogador com muita "Lucydez"...
João Vasco Nunes
Nesta última semana assistiu-se a uma grande reviravolta no futebol leonino. Duas grandes vitórias contra dois enormes adversários. Assim se vai alimentando o sonho do Leão, no única prova que resta, a Liga Europa. Os adeptos e os jogadores do Sporting pedem que "os deixem sonhar" e têm toda a legitimidade para tal!
Entrando mais no campo de jogo e "esmiuçando" as teias tácticas do fenómeno que é o futebol, o que terá mudado tanto assim no Sporting? O que pode fazer tirar uma equipa do abismo para em 3 dias passar ao céu? Pode-se dizer que o Sporting foi do 8 ao 80 e o que acham que contribuiu mais para isso?
É legitimo dizer que há mais motivação, logo isso também iliba o seu treinador de alguma culpa porque quem joga como jogou contra o Everton e o Porto, tinha obrigação de fazer mais no passado. E aí os jogadores é que são responsáveis pela sua motivação, ou falta dela, confiança, etc... Tudo bem que necessitavam de um grande êxito, mas isso não justifica tão pobres exibições, como a de Olhão, por exemplo.
Mas no meu ponto de vista o que mais mudou, mesmo comparando a actual equipa à de Paulo Bento, foi um simples pormenor. Um pormenor que não se restringe à troca de um jogador por outro, mas sim ao local onde esse jogador actua. Paulo Bento não tinha este Izmailov (estava lesionado) e sempre se queixou disso, também não tinha Pedro Mendes que já está em clara ascensão de forma, principalmente física. Mas Paulo Bento não se pode queixar do tão falados reforços, porque João Pereira que era titular indiscutivel, deixou de o ser com as prestações de Abel nos últimos jogos e Pongolle ainda mal jogou.
A grande diferença, de toda a época para estes dois jogos, foi a entrada de um jogador para uma posição onde não costuma actuar. Yannick Djaló! O jovem internacional português andou nestas últimas épocas "mascarado" de avançado, mas agora todos percebemos que Yannick talvez se dê melhor e seja mais influente junto à linha com os seus movimentos interiores. Era anti-natura, ou seja, imaginem um leão na savana, e depois outro leão mas no jardim zoológico. Claro que não é o mesmo, e disso se ressentia o próprio jogador, que não passava de um avançado medíocre, muito irregular e inconstante, com alguma velocidade mas muito pouca inteligência. Nesta nova era Carvalhal, em 3 dias Djaló transformou-se num ala desiquilimbrante, virtuoso muito rápido e com mais inteligência. O resto vem por acréscimo... a confiança, a motivação, tudo isso faz com que as coisas lhe saiam melhor.
Apesar de precisar de ganhar ainda mais inteligência, de forma a decidir melhor os lances e o que fazer à bola, este Yannick Djaló foi com toda a certeza a grande arma de Carvalhal nesta reviravolta leonina dos últimos dias, a juntar claro a Izmailov, Pedro Mendes, à veia goleadora de Veloso e ao espírito de equipa. Como se ouviu numa reportagem na TV logo a seguir ao jogo de Domingo, Djaló foi um jogador com muita "Lucydez"...
João Vasco Nunes
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Canto Curto
Agora sim, vem aí o verdadeiro teste de campeão!
Em vésperas de jogo grande da 20ª jornada, as opiniões dividiram-se na antevisão da visita do Braga de Domingos ao Dragão. Muitos acreditavam que chegara finalmente o verdadeiro teste dos minhotos. Outros porém, defendiam que já não havia nada a provar depois de superar os três grandes em casa e o Sporting em Alvalade. Não tirando mérito a ninguém, vencer no Dragão é sempre diferente. Nos últimos anos poucas equipas se deram a esse luxo. Apesar da derrota não creio que os “arsenalistas” tenham chumbado em alguma coisa, pois já anteriormente haviam mostrado o seu potencial. Penso que este não era o grande teste do Braga…
Depois dos pupilos do ex-jogador do Porto terem sido copiosamente derrotados em pleno Dragão, ouso afirmar que o verdadeiro teste virá no próximo fim-de-semana… precisamente em casa frente ao Olhanense. O Braga sofreu nada mais, nada menos que 5 (!) golos perante os homens de Jesualdo. Quase tantos golos como nos outros 19 jogos da liga. O Braga chegou ao Porto com 8 golos sofridos e saiu de lá com 13. Temos que ter em conta que 2 desses 8 golos foram sofridos muito recentemente, à 18ª e 19ª jornada, em Belém e frente ao Marítimo em casa, respectivamente. Três jogos seguidos a sofrer golos para uma equipa que antes disso havia apenas sofrido 6 golos em 17 jogos, ou seja, o cartão-de-visita dos Minhotos já não poderá ser a sua defesa e a inviolabilidade das redes da baliza de Eduardo. A juntar a isto posso também afirmar que desde a saída de João Pereira para o Sporting a equipa redobrou o número de golos sofridos, isto não pondo em causa as prestações do seu substituto, Felipe Oliveira. Mas contra estes números, não há argumentos possíveis.
Por tudo isto, digo que o verdadeiro teste do Braga se encontra na próxima jornada. Domingos tem a difícil tarefa de recuperar animicamente a sua equipa, depois da goleada imposta pelo Porto. É nestes momentos que se vêem os verdadeiros campeões! Esta é talvez a pior fase da época do Braga, isto mesmo só tendo perdido um jogo, nas últimas jornadas. Mas foi um jogo que pode valer por um campeonato. É caso para dizer que o último Domingo não foi nada meigo para Domingos. Agora resta ao treinador minhoto ter paciência e recuperar a sua equipa, mostrando que o Braga está vivo e ainda mexe.
João Vasco Nunes
Em vésperas de jogo grande da 20ª jornada, as opiniões dividiram-se na antevisão da visita do Braga de Domingos ao Dragão. Muitos acreditavam que chegara finalmente o verdadeiro teste dos minhotos. Outros porém, defendiam que já não havia nada a provar depois de superar os três grandes em casa e o Sporting em Alvalade. Não tirando mérito a ninguém, vencer no Dragão é sempre diferente. Nos últimos anos poucas equipas se deram a esse luxo. Apesar da derrota não creio que os “arsenalistas” tenham chumbado em alguma coisa, pois já anteriormente haviam mostrado o seu potencial. Penso que este não era o grande teste do Braga…
Depois dos pupilos do ex-jogador do Porto terem sido copiosamente derrotados em pleno Dragão, ouso afirmar que o verdadeiro teste virá no próximo fim-de-semana… precisamente em casa frente ao Olhanense. O Braga sofreu nada mais, nada menos que 5 (!) golos perante os homens de Jesualdo. Quase tantos golos como nos outros 19 jogos da liga. O Braga chegou ao Porto com 8 golos sofridos e saiu de lá com 13. Temos que ter em conta que 2 desses 8 golos foram sofridos muito recentemente, à 18ª e 19ª jornada, em Belém e frente ao Marítimo em casa, respectivamente. Três jogos seguidos a sofrer golos para uma equipa que antes disso havia apenas sofrido 6 golos em 17 jogos, ou seja, o cartão-de-visita dos Minhotos já não poderá ser a sua defesa e a inviolabilidade das redes da baliza de Eduardo. A juntar a isto posso também afirmar que desde a saída de João Pereira para o Sporting a equipa redobrou o número de golos sofridos, isto não pondo em causa as prestações do seu substituto, Felipe Oliveira. Mas contra estes números, não há argumentos possíveis.
Por tudo isto, digo que o verdadeiro teste do Braga se encontra na próxima jornada. Domingos tem a difícil tarefa de recuperar animicamente a sua equipa, depois da goleada imposta pelo Porto. É nestes momentos que se vêem os verdadeiros campeões! Esta é talvez a pior fase da época do Braga, isto mesmo só tendo perdido um jogo, nas últimas jornadas. Mas foi um jogo que pode valer por um campeonato. É caso para dizer que o último Domingo não foi nada meigo para Domingos. Agora resta ao treinador minhoto ter paciência e recuperar a sua equipa, mostrando que o Braga está vivo e ainda mexe.
João Vasco Nunes
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Canto Curto
Vamos lá… oh Xico!
Estamos em plena quadra carnavalesca, por isso penso que ninguém me leva a mal se hoje mudar um pouco o tema desta minha rubrica semanal. O Livredirecto dedica-se essencialmente, por escolha da moderação, ao futebol nacional. Mas penso que como o Canto Curto é um “exercício” de opinião, esta semana poderei falar sobre algo que não é bem futebol. Passo a explicar… futebol, pé! … Andebol, mão! Peço também a vossa compreensão, com a devida licença para escrever sobre algo que no entanto até pode servir como grande exemplo para o futebol e o seu estado critico actual.
Nos jornais de hoje, deparei-me com um brilhante e saudável êxito protagonizado pelo XICO Andebol. Um clube de Guimarães que “descende” do antigo Francisco de Holanda. Atingiram nada mais, nada menos, que os Quartos-de-finais da Taça Challenge de Andebol, ou seja, estão a dignificar o nome do país, muito e bem. Senti-me extremamente orgulhoso ao ler tal notícia e penso que qualquer português o deveria sentir também, apesar de não estarmos a falar de futebol (o desporto rei). Acho que está aqui uma excelente oportunidade de um país em peso se juntar, apoiar e seguir uma equipa, criando uma “onda” de afecto a este modesto clube de Andebol. Sendo isto só possível, por o futebol não se meter ao barulho, visto o Xico ser um clube exclusivo de andebol. Já me vejo, daqui para a frente a assistir no meu sofá aos próximos jogos do Xico para esta competição europeia.
O povo deve descentralizar-se um pouco do mundo do futebol e pegar neste exemplo para se unir. Eu sei, compreendo e admito que o futebol move multidões e paixões. Eu sou um desses a quem o futebol mexe bastante. Mas face ao momento que o próprio futebol atravessa era bom nos “retratarmos”, unindo esforços, por exemplo, em torno do Xico andebol.
O Xico é um clube modesto, que não se envolve em “escutas”, não tem problemas nos túneis, e por aí fora, logo aí merece o respeito de todos. Eu sei que os clubes “grandes” do nosso futebol, todos possuem equipa de andebol, mas o Xico até está para o meio da tabela, por isso é o clube ideal para não se fazer sentir rivalidades. A equipa Vimaranense conta no seu plantel com os dois irmãos Silva, mais três primos também de nome Silva. Os manos Silva são por si filhos da Presidente do clube, ou seja um clube familiar. Mais um pormenor que revela a simpatia que nutro por este emblema. Rui Silva, um dos filhos da “patronata”, tem apenas 16 anos, é ainda júnior de escalão mas já é uma das estrelas da equipa. Esta temporada, com a tenra idade que tem, já marcou mais de dez golos na visita ao Dragão, naquela que foi a primeira sensação protagonizada por esta equipa, esta época.
É com este exemplo, que vos desejo um óptimo Carnaval, e que desejo a todos os clubes de futebol que ponham os olhos neste pequeno clube, que sem meios, sem escândalos, sem jogos de bastidores e com apenas 5 meses de existência que está a encher os portugueses de orgulho!
João Vasco Nunes
Estamos em plena quadra carnavalesca, por isso penso que ninguém me leva a mal se hoje mudar um pouco o tema desta minha rubrica semanal. O Livredirecto dedica-se essencialmente, por escolha da moderação, ao futebol nacional. Mas penso que como o Canto Curto é um “exercício” de opinião, esta semana poderei falar sobre algo que não é bem futebol. Passo a explicar… futebol, pé! … Andebol, mão! Peço também a vossa compreensão, com a devida licença para escrever sobre algo que no entanto até pode servir como grande exemplo para o futebol e o seu estado critico actual.
Nos jornais de hoje, deparei-me com um brilhante e saudável êxito protagonizado pelo XICO Andebol. Um clube de Guimarães que “descende” do antigo Francisco de Holanda. Atingiram nada mais, nada menos, que os Quartos-de-finais da Taça Challenge de Andebol, ou seja, estão a dignificar o nome do país, muito e bem. Senti-me extremamente orgulhoso ao ler tal notícia e penso que qualquer português o deveria sentir também, apesar de não estarmos a falar de futebol (o desporto rei). Acho que está aqui uma excelente oportunidade de um país em peso se juntar, apoiar e seguir uma equipa, criando uma “onda” de afecto a este modesto clube de Andebol. Sendo isto só possível, por o futebol não se meter ao barulho, visto o Xico ser um clube exclusivo de andebol. Já me vejo, daqui para a frente a assistir no meu sofá aos próximos jogos do Xico para esta competição europeia.
O povo deve descentralizar-se um pouco do mundo do futebol e pegar neste exemplo para se unir. Eu sei, compreendo e admito que o futebol move multidões e paixões. Eu sou um desses a quem o futebol mexe bastante. Mas face ao momento que o próprio futebol atravessa era bom nos “retratarmos”, unindo esforços, por exemplo, em torno do Xico andebol.
O Xico é um clube modesto, que não se envolve em “escutas”, não tem problemas nos túneis, e por aí fora, logo aí merece o respeito de todos. Eu sei que os clubes “grandes” do nosso futebol, todos possuem equipa de andebol, mas o Xico até está para o meio da tabela, por isso é o clube ideal para não se fazer sentir rivalidades. A equipa Vimaranense conta no seu plantel com os dois irmãos Silva, mais três primos também de nome Silva. Os manos Silva são por si filhos da Presidente do clube, ou seja um clube familiar. Mais um pormenor que revela a simpatia que nutro por este emblema. Rui Silva, um dos filhos da “patronata”, tem apenas 16 anos, é ainda júnior de escalão mas já é uma das estrelas da equipa. Esta temporada, com a tenra idade que tem, já marcou mais de dez golos na visita ao Dragão, naquela que foi a primeira sensação protagonizada por esta equipa, esta época.
É com este exemplo, que vos desejo um óptimo Carnaval, e que desejo a todos os clubes de futebol que ponham os olhos neste pequeno clube, que sem meios, sem escândalos, sem jogos de bastidores e com apenas 5 meses de existência que está a encher os portugueses de orgulho!
João Vasco Nunes
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Canto Curto
Maus vícios
Semanas atrás saudei e falei nesta rubrica sobre um árbitro que aplicou uma das leis do jogo que praticamente ninguém usa. Hoje, e após este fim-de-semana ver uma situação que há muito tempo me deixa "aborrecido e transtornado", venho escrever sobre algumas coisas que alteraria nas regras do futebol. Claro que isto é um mero exercício hipotético!
Falando do tal lance que detesto ver em qualquer campo de futebol, no Sábado o Benfica jogou em Setúbal. A dada altura, o médio espanhol Javi Garcia foi carregado à margem das leis, ou seja em falta. Aquando da sua queda, depois da falta do jogador do Setúbal, Javi "apressou-se" em agarrar a bola com as mãos enquanto se "despenhava" no relvado. Esta situação trouxe-me á memória um excelente jogador que passou pelo Porto, de seu nome Diego, e que fazia isto constantemente, todos os jogos (pelo menos os que jogava) e bem mais de dez vezes por jogo. Tanto o brasileiro como o espanhol são "actores" de uma cena que para mim é do pior que pode existir no que toca a falar de anti-jogo. Digo que são das piores cenas de anti-jogo, porque são as que passam impunes mais vezes e nem sequer há lei para punir isto. Fica assim entregue ao bom senso dos árbitros decidir nestes casos. E são raros os árbitros que têm esse bom senso. Mas atenção que já vi "corajosos" punir tal situação.
Isto irrita-me de tal forma, que passo a explicar: um jogador que faz isto ao cair no chão, faz com que o árbitro apite obrigatoriamente, ou para apitar a suposta falta cometida ou então a mão do jogador que agarra a bola. Mas como toda a gente sabe, também pela falta de regulamento neste aspecto, e no "calor" da decisão é natural que os árbitros tenham uma "tendência forçada" a assinalar a primeira falta, que até pode nem ter existido. E a tendência a apitar é "forçada" pelos próprios jogadores que agarram a bola ao cair.
Para além disto, o jogador ao pôr em pratica tal acto, faz com que a sua própria equipa não aproveite a "lei da vantagem", que daí pode vir a ser tirada. Trocando isto por miúdos, estes "artistas" obrigam o jogo a parar mais vezes, o que por si quebra o ritmo de jogo, faz com que haja mais paragens, ou seja torna tudo pior. Isto tudo apenas para ter a certeza que se ganha uma falta. Tudo bem, que fazem o papel deles e o que é melhor para a sua equipa. Mas desculpem que o diga, tudo isto me irrita e tudo isto é puro anti-jogo, mas com uma particularidade... este tipo de anti-jogo passa inculme à anos.
Eu se fosse árbitro, e compreendo a difícil posição dos homens do apito, se tivesse na duvida da falta puniria antes o jogador que em queda agarrou a bola com a mão. Se a falta fosse clara mostraria amarelo a quem agarrou a bola, apesar da falta. Aliás comigo de "apito na boca" os jogadores só o fariam uma vez... porque à segunda vez iam para a rua, porque seriam amarelados logo à primeira!
Estes dois jogadores que falei não são os únicos a fazer isto, como é lógico. Mas tiveram o azar de serem os dois que me vieram à memória e como tal serviram de termo de comparação.
Assim o nosso futebol nunca chegará ao topo. Falamos tanto dos melhores campeonatos, mas assim é difícil lá chegar. Somos assíduos nestas situações de anti-jogo. Preferimos defender a atacar. Ainda este fim-de-semana me sentei a ver um jogo do campeonato Inglês. Por acaso até ficou zero a zero, mas a qualidade, a velocidade do jogo e tudo o resto não têm nenhum ponto em comum com a nossa Liga. Só para que conste, comecei a ver o jogo por volta dos 30 minutos de jogo e só ouvi o árbitro apitar quando foi para os jogadores recolherem ao intervalo...
João Vasco Nunes
Semanas atrás saudei e falei nesta rubrica sobre um árbitro que aplicou uma das leis do jogo que praticamente ninguém usa. Hoje, e após este fim-de-semana ver uma situação que há muito tempo me deixa "aborrecido e transtornado", venho escrever sobre algumas coisas que alteraria nas regras do futebol. Claro que isto é um mero exercício hipotético!
Falando do tal lance que detesto ver em qualquer campo de futebol, no Sábado o Benfica jogou em Setúbal. A dada altura, o médio espanhol Javi Garcia foi carregado à margem das leis, ou seja em falta. Aquando da sua queda, depois da falta do jogador do Setúbal, Javi "apressou-se" em agarrar a bola com as mãos enquanto se "despenhava" no relvado. Esta situação trouxe-me á memória um excelente jogador que passou pelo Porto, de seu nome Diego, e que fazia isto constantemente, todos os jogos (pelo menos os que jogava) e bem mais de dez vezes por jogo. Tanto o brasileiro como o espanhol são "actores" de uma cena que para mim é do pior que pode existir no que toca a falar de anti-jogo. Digo que são das piores cenas de anti-jogo, porque são as que passam impunes mais vezes e nem sequer há lei para punir isto. Fica assim entregue ao bom senso dos árbitros decidir nestes casos. E são raros os árbitros que têm esse bom senso. Mas atenção que já vi "corajosos" punir tal situação.
Isto irrita-me de tal forma, que passo a explicar: um jogador que faz isto ao cair no chão, faz com que o árbitro apite obrigatoriamente, ou para apitar a suposta falta cometida ou então a mão do jogador que agarra a bola. Mas como toda a gente sabe, também pela falta de regulamento neste aspecto, e no "calor" da decisão é natural que os árbitros tenham uma "tendência forçada" a assinalar a primeira falta, que até pode nem ter existido. E a tendência a apitar é "forçada" pelos próprios jogadores que agarram a bola ao cair.
Para além disto, o jogador ao pôr em pratica tal acto, faz com que a sua própria equipa não aproveite a "lei da vantagem", que daí pode vir a ser tirada. Trocando isto por miúdos, estes "artistas" obrigam o jogo a parar mais vezes, o que por si quebra o ritmo de jogo, faz com que haja mais paragens, ou seja torna tudo pior. Isto tudo apenas para ter a certeza que se ganha uma falta. Tudo bem, que fazem o papel deles e o que é melhor para a sua equipa. Mas desculpem que o diga, tudo isto me irrita e tudo isto é puro anti-jogo, mas com uma particularidade... este tipo de anti-jogo passa inculme à anos.
Eu se fosse árbitro, e compreendo a difícil posição dos homens do apito, se tivesse na duvida da falta puniria antes o jogador que em queda agarrou a bola com a mão. Se a falta fosse clara mostraria amarelo a quem agarrou a bola, apesar da falta. Aliás comigo de "apito na boca" os jogadores só o fariam uma vez... porque à segunda vez iam para a rua, porque seriam amarelados logo à primeira!
Estes dois jogadores que falei não são os únicos a fazer isto, como é lógico. Mas tiveram o azar de serem os dois que me vieram à memória e como tal serviram de termo de comparação.
Assim o nosso futebol nunca chegará ao topo. Falamos tanto dos melhores campeonatos, mas assim é difícil lá chegar. Somos assíduos nestas situações de anti-jogo. Preferimos defender a atacar. Ainda este fim-de-semana me sentei a ver um jogo do campeonato Inglês. Por acaso até ficou zero a zero, mas a qualidade, a velocidade do jogo e tudo o resto não têm nenhum ponto em comum com a nossa Liga. Só para que conste, comecei a ver o jogo por volta dos 30 minutos de jogo e só ouvi o árbitro apitar quando foi para os jogadores recolherem ao intervalo...
João Vasco Nunes
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Canto Curto
O exemplo que vem do frio
É certo que a Rússia não é um país pelo qual eu morra de amores. A história também não tem muitas ligações às minhas opções ideológicas. Muito menos o clima, que é frio que se farta... pelo menos é o que se consta, porque nunca lá fui nem tenciono ir. Mas, talvez esse frio faça com que os Russos tenham mais "cabeça fria" que os portugueses e restantes "personagens" do nosso futebol. Pelo menos aqueles que não bebem Vodka para aquecer.
Todos nós sabemos a "crise de bastidores" que afecta, ou melhor, contamina o futebol e o desporto no geral em Portugal. Os túneis estão na ribalta nas últimas semanas. Mas desenganem-se aqueles que pensam que isso se passa apenas nos grandes palcos. Apenas, aí existe mais mediatismo, porque situações destas acontecem em todo o lado. Desde os nacionais aos distritais! Eu penso que para além do problema estar no desporto em si, no desportivismo e no "saber ganhar e saber perder",existe um grande problema a nível social no país. É isto o grande transportador de atitudes desmedidas para o desporto. Trocando isto por miúdos, existe uma grande falta de civismo na sociedade de hoje em dia!
É neste ponto que chego à Rússia, esse país que nem é muito do meu agrado. É de um Russo, que por acaso até está inserido actualmente na sociedade portuguesa, que vou falar como um grande exemplo dos relvados nacionais. Ou será melhor dizer que esse Russo é apenas uma excepção à regra?
No ano passado em conversa com um adepto sportinguista, ele falou de um jogador de nome Izmailov, que nunca reclamava uma falta com os árbitros, nunca se envolvia com colegas de profissão de outras equipas, que apenas fazia o seu trabalho permanecendo "cego, surdo e mudo". Foi algo que fui reparando desde então. Em especial destaque este fim-de-semana.
A meio da segunda parte do jogo que opôs o Braga ao Sporting, o defesa central Polga foi admoestado com o cartão amarelo. O Brasileiro estava no banco de suplentes e provavelmente foi advertido por palavras "lançadas" ao árbitro. Quando as câmaras captaram o banco leonino, lá estavam os restantes suplentes a manifestarem-se de forma desordeira pelo sucedido. Entre os quais destacava-se Pedro Silva, esse grande exemplo de Fair-Play, que comparava o árbitro João Ferreira àqueles elementos do circo que servem para nos fazer rir. Mas isto nem interessa para o ponto onde quero chegar. Nessas mesmas imagens e por trás da confusão de palavrões que ocorria no banco do Sporting, lá se via o Russo Izmailov, impávido e sereno como se nada se passasse. Nem esboçou uma palavra, nem sequer uma reacção. De destacar que já havia sido substituído, já tinha feito o seu trabalho e encontrava-se ali a descansar.
Isto sim deveria ser o exemplo para todos os actuais e futuros desportistas. É raro encontrar-mos alguém no seio do futebol nacional com este "espírito" e nem que fosse só por isso, Izmailov já merecia sempre o meu respeito!
Ainda dizem aqueles especialistas (como diz o Pedro Silva) de segunda-feira à noite, que os jogadores de futebol têm a cabeça quente, estão no limiar do esforço físico logo é natural terem reacções menos civilizadas e que todos reagiriam de forma igual. Ora Izamailov conseguiu mostrar-me o contrário, só reage assim quem não tem civismo, e o Russo já mostrou que isso tem que chegue e sobre... para além do talento para jogar futebol!
João Vasco Nunes
É certo que a Rússia não é um país pelo qual eu morra de amores. A história também não tem muitas ligações às minhas opções ideológicas. Muito menos o clima, que é frio que se farta... pelo menos é o que se consta, porque nunca lá fui nem tenciono ir. Mas, talvez esse frio faça com que os Russos tenham mais "cabeça fria" que os portugueses e restantes "personagens" do nosso futebol. Pelo menos aqueles que não bebem Vodka para aquecer.
Todos nós sabemos a "crise de bastidores" que afecta, ou melhor, contamina o futebol e o desporto no geral em Portugal. Os túneis estão na ribalta nas últimas semanas. Mas desenganem-se aqueles que pensam que isso se passa apenas nos grandes palcos. Apenas, aí existe mais mediatismo, porque situações destas acontecem em todo o lado. Desde os nacionais aos distritais! Eu penso que para além do problema estar no desporto em si, no desportivismo e no "saber ganhar e saber perder",existe um grande problema a nível social no país. É isto o grande transportador de atitudes desmedidas para o desporto. Trocando isto por miúdos, existe uma grande falta de civismo na sociedade de hoje em dia!
É neste ponto que chego à Rússia, esse país que nem é muito do meu agrado. É de um Russo, que por acaso até está inserido actualmente na sociedade portuguesa, que vou falar como um grande exemplo dos relvados nacionais. Ou será melhor dizer que esse Russo é apenas uma excepção à regra?
No ano passado em conversa com um adepto sportinguista, ele falou de um jogador de nome Izmailov, que nunca reclamava uma falta com os árbitros, nunca se envolvia com colegas de profissão de outras equipas, que apenas fazia o seu trabalho permanecendo "cego, surdo e mudo". Foi algo que fui reparando desde então. Em especial destaque este fim-de-semana.
A meio da segunda parte do jogo que opôs o Braga ao Sporting, o defesa central Polga foi admoestado com o cartão amarelo. O Brasileiro estava no banco de suplentes e provavelmente foi advertido por palavras "lançadas" ao árbitro. Quando as câmaras captaram o banco leonino, lá estavam os restantes suplentes a manifestarem-se de forma desordeira pelo sucedido. Entre os quais destacava-se Pedro Silva, esse grande exemplo de Fair-Play, que comparava o árbitro João Ferreira àqueles elementos do circo que servem para nos fazer rir. Mas isto nem interessa para o ponto onde quero chegar. Nessas mesmas imagens e por trás da confusão de palavrões que ocorria no banco do Sporting, lá se via o Russo Izmailov, impávido e sereno como se nada se passasse. Nem esboçou uma palavra, nem sequer uma reacção. De destacar que já havia sido substituído, já tinha feito o seu trabalho e encontrava-se ali a descansar.
Isto sim deveria ser o exemplo para todos os actuais e futuros desportistas. É raro encontrar-mos alguém no seio do futebol nacional com este "espírito" e nem que fosse só por isso, Izmailov já merecia sempre o meu respeito!
Ainda dizem aqueles especialistas (como diz o Pedro Silva) de segunda-feira à noite, que os jogadores de futebol têm a cabeça quente, estão no limiar do esforço físico logo é natural terem reacções menos civilizadas e que todos reagiriam de forma igual. Ora Izamailov conseguiu mostrar-me o contrário, só reage assim quem não tem civismo, e o Russo já mostrou que isso tem que chegue e sobre... para além do talento para jogar futebol!
João Vasco Nunes
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Canto Curto
A excepção à regra... que devia ser exemplo!
Esta semana, durante o visionamento de mais um jogo da CAN, essa competição que tem ocupado os amantes da modalidade nas últimas semanas, tive o prazer de conhecer Benouza Mohamed. Nada mais, nada menos que o árbitro do encontro dos quartos-de-finais que opôs Angola ao Gana e, que por acaso até foi o derradeiro encontro dos Angolanos, onde acabaram eliminados por um golo de Asamoah Gyan.
Mas não vou falar do jogo, apenas de uma situação protagonizada pelo juiz Argelino que apitou o jogo. A meio da primeira parte, o senhor Mohamed tornou-se numa excepção à regra, ao tomar uma medida que é muito raro ser vista nos seus colegas de profissão. Eu digo excepção, porque pelo menos eu, não tenho conhecimento de outro caso semelhante, mas isso não impede que isto já tenha acontecido anteriormente. Uma coisa é certa, que é raro, é! Ora bem, o senhor do apito, depois de mais um ataque falhado da parte de Angola e depois de a bola já estar na posse do guarda-redes Ganês, assinalou algo que deixou tudo muito espantando. Os mais distraídos certamente que imaginaram ali uma manobra de diversão, só com o intuito de de favorecer a equipa da casa. Cedo percebi que a única coisa que o arbitro podia marcar naquela situação eram os segundos que o guardião Ganês esteve com a bolas nas mãos... mas não quis acreditar! Afinal de contas essa é aquela regra que está nas leis, mas que ninguém se preocupa com ela, ou melhor ninguém a assinala. Pois é, aqui à um par de anos, aquando duma das últimas alterações de leis do jogo por parte da FIFA, ficou decidido que os guarda-redes apenas poderiam ter a bola nas mãos durante 6 segundos. Certo, é que até ao dia em que o senhor Mohamed se lembrou desta regra, mais nenhum o havia feito. Esquecimento dizem uns, bom-senso dizem outros, também dizem que ligar a isso é ser perfeccionista. Mas se as leis existem são para ser aplicadas. Aliás no futsal existe regra semelhante, só com a nuance de os segundos serem apenas 4, e são sempre contados pelos dedos dos árbitros.
Eu não quero com isto pedir ou exigir que os árbitros façam disto um exemplo, e que contem sempre os seis segundos. Mas mais importante que isso, era que os árbitros ao começarem a tomar isto por medida, acabassem com o vício de alguns guarda-redes. Guarda-redes esses que seis segundos é apenas metade do tempo que têm a bola nas mãos. Portanto, trata-se de puro anti-jogo e para combater esse mesmo anti-jogo fora criada a tal regra dos seis segundos.
Melhor ainda que acabar com o vício dos guarda-redes ao tomar estas medidas, era que quando se acabasse o tal vício, acabava também mais uma razão para os adeptos mais ferrenhos e facciosos se travarem de razões. O que é o mais habitual no nosso futebol, e como casos já são muitos, sempre se acabava com mais um desses propulsores de razões descabidas para tantas discussões clubistas. Até porque no que toca a este aspecto, nenhum adepto de nenhum clube português leva vantagem... porque não há um único guarda-redes na Liga Sagres que não cometa esta infracção!
Resta esperar que os homens do apito, pelo menos os portugueses, tivessem de olhos postos na "magia" da CAN, para ter em conta o exemplo que o árbitro Argelino deu ao mundo do futebol.
João Vasco Nunes
Esta semana, durante o visionamento de mais um jogo da CAN, essa competição que tem ocupado os amantes da modalidade nas últimas semanas, tive o prazer de conhecer Benouza Mohamed. Nada mais, nada menos que o árbitro do encontro dos quartos-de-finais que opôs Angola ao Gana e, que por acaso até foi o derradeiro encontro dos Angolanos, onde acabaram eliminados por um golo de Asamoah Gyan.
Mas não vou falar do jogo, apenas de uma situação protagonizada pelo juiz Argelino que apitou o jogo. A meio da primeira parte, o senhor Mohamed tornou-se numa excepção à regra, ao tomar uma medida que é muito raro ser vista nos seus colegas de profissão. Eu digo excepção, porque pelo menos eu, não tenho conhecimento de outro caso semelhante, mas isso não impede que isto já tenha acontecido anteriormente. Uma coisa é certa, que é raro, é! Ora bem, o senhor do apito, depois de mais um ataque falhado da parte de Angola e depois de a bola já estar na posse do guarda-redes Ganês, assinalou algo que deixou tudo muito espantando. Os mais distraídos certamente que imaginaram ali uma manobra de diversão, só com o intuito de de favorecer a equipa da casa. Cedo percebi que a única coisa que o arbitro podia marcar naquela situação eram os segundos que o guardião Ganês esteve com a bolas nas mãos... mas não quis acreditar! Afinal de contas essa é aquela regra que está nas leis, mas que ninguém se preocupa com ela, ou melhor ninguém a assinala. Pois é, aqui à um par de anos, aquando duma das últimas alterações de leis do jogo por parte da FIFA, ficou decidido que os guarda-redes apenas poderiam ter a bola nas mãos durante 6 segundos. Certo, é que até ao dia em que o senhor Mohamed se lembrou desta regra, mais nenhum o havia feito. Esquecimento dizem uns, bom-senso dizem outros, também dizem que ligar a isso é ser perfeccionista. Mas se as leis existem são para ser aplicadas. Aliás no futsal existe regra semelhante, só com a nuance de os segundos serem apenas 4, e são sempre contados pelos dedos dos árbitros.
Eu não quero com isto pedir ou exigir que os árbitros façam disto um exemplo, e que contem sempre os seis segundos. Mas mais importante que isso, era que os árbitros ao começarem a tomar isto por medida, acabassem com o vício de alguns guarda-redes. Guarda-redes esses que seis segundos é apenas metade do tempo que têm a bola nas mãos. Portanto, trata-se de puro anti-jogo e para combater esse mesmo anti-jogo fora criada a tal regra dos seis segundos.
Melhor ainda que acabar com o vício dos guarda-redes ao tomar estas medidas, era que quando se acabasse o tal vício, acabava também mais uma razão para os adeptos mais ferrenhos e facciosos se travarem de razões. O que é o mais habitual no nosso futebol, e como casos já são muitos, sempre se acabava com mais um desses propulsores de razões descabidas para tantas discussões clubistas. Até porque no que toca a este aspecto, nenhum adepto de nenhum clube português leva vantagem... porque não há um único guarda-redes na Liga Sagres que não cometa esta infracção!
Resta esperar que os homens do apito, pelo menos os portugueses, tivessem de olhos postos na "magia" da CAN, para ter em conta o exemplo que o árbitro Argelino deu ao mundo do futebol.
João Vasco Nunes
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